No mês dedicado à saúde masculina, cresce o alerta para doenças que surgem de forma silenciosa
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Muita gente ainda associa o Novembro Azul apenas à prevenção do câncer de próstata, mas o mês é dedicado ao cuidado integral da saúde masculina — incluindo aspectos pouco lembrados, como a visão. Hábitos alimentares, especialmente o consumo frequente de alimentos gordurosos, também influenciam diretamente o funcionamento dos olhos. Segundo a Dra. Marcia Ferrari, oftalmologista e Diretora Clínica do H.Olhos, Hospital de Olhos da Vision One, essa relação merece atenção. “Tudo o que afeta o metabolismo e os vasos sanguíneos impacta os olhos. A alimentação é parte essencial desse processo”, afirma.
A especialista explica que dietas ricas em gorduras saturadas, trans e produtos ultraprocessados aumentam a inflamação e o estresse oxidativo. “Esse conjunto acelera o envelhecimento celular, inclusive das estruturas oculares”, detalha. Além disso, alterações circulatórias causadas por colesterol e triglicerídeos elevados podem comprometer vasos delicados. “Essas gorduras prejudicam a circulação e podem danificar a retina. Em alguns casos, há até pequenos ‘derrames’ dentro do olho”, diz a médica. O nervo óptico, responsável por levar imagens ao cérebro, também pode ser afetado pela circulação deficiente.
Entre as doenças associadas a esse tipo de alimentação estão a degeneração macular relacionada à idade, catarata, glaucoma, retinopatia diabética e olho seco. Muitas delas têm evolução silenciosa, o que reforça a necessidade de prevenção. “O problema é que os homens, de forma geral, procuram menos atendimento preventivo. Isso vale para a saúde ocular. Doenças silenciosas passam despercebidas e o tratamento começa tarde”, observa a oftalmologista.
Diferenças entre homens e mulheres também influenciam os diagnósticos. A médica aponta que fatores hormonais e metabólicos variam entre os sexos, assim como os hábitos de vida. “Algumas doenças são mais comuns nas mulheres, como catarata e olho seco. Já traumas oculares aparecem mais nos homens, muito por exposição ocupacional e esportiva”, explica. Mesmo assim, doenças como retinopatia e glaucoma tendem a ser identificadas mais tarde no público masculino. “A menor procura por consultas de rotina atrasa o diagnóstico e piora o prognóstico”, acrescenta.
Há, por outro lado, alimentos e nutrientes que atuam como aliados da visão. A especialista destaca o papel do ômega-3, luteína, zeaxantina, vitaminas C e E e zinco. “Esses nutrientes têm ação antioxidante, anti-inflamatória e protegem estruturas como a mácula e o nervo óptico”, afirma. Para incorporá-los no dia a dia, ela recomenda peixes gordurosos, folhas verdes escuras, frutas cítricas, nozes, sementes, legumes coloridos e fontes de zinco como carnes magras e feijões.
O colesterol alto e os triglicerídeos também podem afetar a circulação ocular. “A dislipidemia endurece e estreita os vasos, podendo levar ao bloqueio da artéria ou veia da retina. Esses quadros provocam perda súbita e grave da visão”, explica a Dra. Marcia. Exsudatos, edema e até aumento do risco de glaucoma também estão ligados ao desequilíbrio dessas gorduras. Obesidade e sobrepeso, comuns entre homens, reforçam esse cenário ao gerar inflamação sistêmica e favorecer doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão. “Essas condições são gatilhos para retinopatia diabética, retinopatia hipertensiva e até progressão mais rápida de catarata”, comenta.
O diabetes tipo 2, frequentemente associado a dietas ricas em gorduras e açúcar, está entre os maiores riscos para a visão. “É uma das principais causas de cegueira no mundo. O excesso de glicose danifica os pequenos vasos da retina e causa lesões graves”, afirma. A médica cita a retinopatia diabética, o glaucoma neovascular e a catarata precoce como complicações comuns em pacientes com descontrole metabólico.
Para homens a partir dos 40 anos, a especialista reforça que consultas anuais são indispensáveis. Entre os exames recomendados estão avaliação da acuidade visual, refração, tonometria, exame de fundo de olho e lâmpada de fenda. “É nessa fase que aumentam os riscos de presbiopia, glaucoma, degeneração macular e alterações relacionadas ao diabetes e à hipertensão”, afirma.
A mensagem final da médica para este Novembro Azul é simples e direta: “Cuidar da saúde não se resume a um órgão. Se o seu estilo de vida prejudica o coração e o metabolismo, ele também está afetando os seus olhos”, reforça. Ela conclui com um lembrete prático: “Marque sua consulta anual. Prevenção é o caminho mais inteligente para garantir a sua visão”, finaliza a Dra. Marcia Ferrari, oftalmologista e Diretora Clínica do H.Olhos, Hospital de Olhos da Vision One.
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