Advento: Luz de Esperança para o Natal

 

 


João Vitor Fakine da Silva

Seminarista do 4º Ano de Teologia da Diocese de Jales

 

Caro irmão e irmã, sabemos que o tempo do Advento se apresenta à Igreja como um período de expectativa, purificação interior e de grande espiritualidade. É o tempo em que elevamos nosso coração para Aquele que vem ser em nossa vida a Luz para dissipar a escuridão das trevas do coração.

A espiritualidade do Advento nos mostra que é tempo de esperança, de confiança nas promessas divinas e de abertura humilde para que Deus faça nascer em nós aquilo que ainda não compreendemos viver plenamente. À medida que vamos nos aproximando do Natal, a liturgia nos enriquece com a espera ativa, não passiva. Isto é, uma espera que prepara o caminho do Senhor, que remove as pedras da indiferença e reacende o desejo de salvação.

O Advento nos impele a reacender a chama interior, permitindo que a luz de Cristo nos transforme e se reflita em gestos concretos de caridade cristã, uma das virtudes teologais para o cristão, nos levando à reconciliação e abertura ao outro. A esperança cristã não é um sentimento vago, mas certeza fixa na fidelidade de Deus. Por isso, é tempo de confiar: o Senhor que veio em Belém, que vem hoje nos sacramentos, e virá novamente em Sua glória.

Esta espiritualidade do Advento nos conduz ao Natal não apenas como uma data comemorativa, mas como acontecimento salvífico sempre atual. Celebrar o Natal sem o entendimento do Advento seria como acender luzes externas permanecendo interiormente apagados. É no silêncio do coração vigilante que a verdadeira luz nasce. As velas da coroa do Advento simbolizam esse crescer luminoso: de semana em semana, a claridade da luz aumenta, sinalizando que a noite não vencerá o amanhecer. Assim, a Igreja neste tempo aparece como portadora de esperança, que consola os corações feridos, mostrando que na fé não se cansa de anunciar: “Ele vem!”.

É no Advento também que nos ensina a ter um olhar mariano. Como Maria, que soube ser: aquela que espera, que crê, que acolhe, que gera a Luz. Se ouvirmos bem a palavra, Maria nos convida a viver a espera com serenidade e confiança, mesmo quando os caminhos parecem tortuosos. Da mesma maneira, como João Batista, somos chamados a preparar a estrada para Cristo: com palavras que constroem, nas escolhas coerentes, com a nossa vida cristã apontada para Deus.

Que nossos lares sejam lugares de acolhimento dessa luz, que nossas palavras sejam portadoras de conforto e que nossa Igreja local viva este tempo com profunda entrega espiritual. Ao contemplarmos o Menino Jesus na simplicidade de Belém, vivamos a certeza de que a esperança venceu, a luz brilhou, e que o Natal é a resposta divina ao anseio mais profundo do coração humano: ser amado e salvo.

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