Errou Deus em nos criar com o livre-arbítrio?

por  José Reis Chaves



Deus é onisciente, o que quer dizer que Ele sabe tudo antes, durante e depois de tudo que acontece. Dizendo de outro modo, Deus sabe, simultaneamente, o futuro, o presente e o passado de tudo que existiu, existe e existirá. E quando se trata da criação de coisas criadas por Ele, é que temos então mesmo mais certeza de que Deus nunca jamais erra.

E aqui creio ser interessante demonstrar o que o filósofo Huberto Rohden, criador da Filosofia Univérsica, fala sobre a origem das coisas criadas em que ele faz uma variação do verbo criar não constante da ortografia oficial, mas que é muito interessante. Para ele há coisas criadas e coisas “creadas”. As “creadas” que são  biológicas representam o surgimento da espécie; exemplo:  a bovina. Depois disso, diz-se que os fazendeiros criam bois e vacas, que são existências procedentes de outras existências.

Quando Deus “creou” o ser humano, foi com conhecimento do fim do homem. E aqui surge uma pergunta. Deus que é de Amor e Misericórdia infinitos, “crearia” seres humanos para terem um fim de suplícios infernais terríveis, inimagináveis e sempiternos? A reposta só pode ser não, pois tais tormentos, que até são de natureza igual às terroristas, jamais poderiam provir de Deus, o Ser amorável por excelência e de amor e misericórdia infinitos! Atribuir a autoria desses tormentos a Ele, pode mesmo ser uma blasfêmia, apesar desse absurdo ter sido ensinado, milenarmente, por teólogos cristãos, graças a Deus nem todos, embora tenham ficado em silêncio, a fim de evitarem, problemas para a sua vida profissional, geralmente, de líderes, tanto católicos, como ortodoxos, protestantes e evangélicos.

Deus não nos impõe nada obrigatório, a prova disso é exatamente o livre-arbítrio com que nos criou e a que já nos referimos. As ameaças de punições para quem abusa do livre-arbítrio e que até estão também na Bíblia são coisas mais de seres humanos, pois, na verdade, Deus não castiga ninguém que pecou. Inclusive, a própria palavra castigo vem do verbo latino “castigare” e que não significa punir, mas purificar, daí, também, a palavra castidade.

Existe no cristianismo uma ideia absurda, isto é, a de que os pecados fazem Deus sofrer e mais absurda ainda a de que Ele se vinga. Isso é fazer de Deus um demagogo, que ensina uma coisa e faz outra, o que, aliás, sempre aconteceu entre muitos líderes religiosos. Referindo-se aos sacerdotes judeus de seu tempo, Jesus até disse, façam o que eles ensinam, mas não façam o que eles fazem! Realmente, o excelso Mestre nos demonstra que Deus só nos ensina verdades e que jamais erra!


José Reis Chaves é professor aposentado de português e literatura, formado na PUC Minas, ex-seminarista Redentorista, jornalista, escritor, entre seus livros: "A Reencarnação na Bíblia e na Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Ed. EBM-Megalivros, SP, ambos lançados também em Inglês nos Estados Unidos e tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, Ed. Chico Xavier.  contato@editorachicoxavier.com.br Cássia e Cléia. Programa “Presença Espírita na Bíblia, na TV Mundo Maior” e coluna no jornal O Tempo de Belo Horizonte. Vídeos de palestras e entrevistas em TVs no Youtube e Facebook. Email:  jreischaves@gmail.com).

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