*José Renato Nalini
Repito, qual mantra, que ética é a
matéria-prima de que o Brasil mais se ressente. Estudei ética durante décadas e
tentei trazer algum alento aos heróis que a levam a sério. Daí os livros “Ética
Geral e Ambiental”, que parou na 14ª edição, exatamente no momento crítico em
que a ética no Brasil passou a agonizar. Mas também escrevi “Ética Ambiental”,
que, milagrosamente, chegou a uma 4ª edição.
Falar em ética num Brasil que
sepultou a prática dessa ciência do comportamento moral do homem em sociedade é
um ato de coragem. Como aquele ora liderado pela Ministra Marina da Silva, a
criar o Balanço Ético Global – BEG, instrumento que “propõe uma escuta ética e
planetária sobre a crise climática”.
A ideia é salutar. Reunir líderes de
diversas áreas para refletir sobre as emergências climáticas sob enfoque ético.
Somente a ética pode salvar a humanidade. Sim, é preciso ter em vista que não é
o planeta que corre o risco de desaparecer. É a humanidade. Louca varrida, sem
juízo, parece ter escolhido o suicídio coletivo, pois o ecocídio inclui também
a espécie dita racional quando a vida desaparecer do planeta.
Marina diz que o BEG “nada mais é do
que trazer a dimensão da ética para dar suporte às decisões políticas, aos
encaminhamentos técnicos, porque só ela será capaz de nos atravessar para dar o
sentido de urgência dos problemas que estamos enfrentando”. Ela sabe que todas
as respostas técnicas já existem. Só que existe um fosso aparentemente
intransponível entre o discurso e a prática. Para Marina, “só mesmo a
perspectiva da sociedade para trazer todos os constrangimentos éticos, que não
só o Brasil, mas o mundo inteiro, está passando diante das mudanças
climáticas”. Com exploração de petróleo em alta e eliminação de barreiras de
licenciamento ambiental em curso pelo Congresso, parece difícil pensar que a
ética ecológica prevaleça.
Queira Deus que a sociedade tupiniquim
se converta e protagonize a mudança de conduta de que depende a continuidade da
instigante e maravilhosa aventura humana sobre a Terra.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo
das Mudanças Climáticas de São Paulo.
*José Renato Nalini
Repito, qual mantra, que ética é a
matéria-prima de que o Brasil mais se ressente. Estudei ética durante décadas e
tentei trazer algum alento aos heróis que a levam a sério. Daí os livros “Ética
Geral e Ambiental”, que parou na 14ª edição, exatamente no momento crítico em
que a ética no Brasil passou a agonizar. Mas também escrevi “Ética Ambiental”,
que, milagrosamente, chegou a uma 4ª edição.
Falar em ética num Brasil que
sepultou a prática dessa ciência do comportamento moral do homem em sociedade é
um ato de coragem. Como aquele ora liderado pela Ministra Marina da Silva, a
criar o Balanço Ético Global – BEG, instrumento que “propõe uma escuta ética e
planetária sobre a crise climática”.
A ideia é salutar. Reunir líderes de
diversas áreas para refletir sobre as emergências climáticas sob enfoque ético.
Somente a ética pode salvar a humanidade. Sim, é preciso ter em vista que não é
o planeta que corre o risco de desaparecer. É a humanidade. Louca varrida, sem
juízo, parece ter escolhido o suicídio coletivo, pois o ecocídio inclui também
a espécie dita racional quando a vida desaparecer do planeta.
Marina diz que o BEG “nada mais é do
que trazer a dimensão da ética para dar suporte às decisões políticas, aos
encaminhamentos técnicos, porque só ela será capaz de nos atravessar para dar o
sentido de urgência dos problemas que estamos enfrentando”. Ela sabe que todas
as respostas técnicas já existem. Só que existe um fosso aparentemente
intransponível entre o discurso e a prática. Para Marina, “só mesmo a
perspectiva da sociedade para trazer todos os constrangimentos éticos, que não
só o Brasil, mas o mundo inteiro, está passando diante das mudanças
climáticas”. Com exploração de petróleo em alta e eliminação de barreiras de
licenciamento ambiental em curso pelo Congresso, parece difícil pensar que a
ética ecológica prevaleça.
Queira Deus que a sociedade tupiniquim
se converta e protagonize a mudança de conduta de que depende a continuidade da
instigante e maravilhosa aventura humana sobre a Terra.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo
das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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