![]() |
| O Hospital Amaral Carvalho é referência para o Sistema Único de Saúde para o tratamento do câncer colorretal (foto/divulgação) |
O Brasil recebeu comovido a notícia do falecimento da cantora Preta Gil na noite do último domingo (20) por complicações de um câncer colorretal. A artista, filha do também cantor Gilberto Gil, tinha 50 anos e lutava desde 2023 contra a doença. Além de Preta, Pelé também foi vítima desse mesmo tipo de câncer em 2022.
O câncer colorretal costuma ser uma doença silenciosa nos estágios iniciais, o que dificulta seu diagnóstico. É o terceiro mais comum na população brasileira com mais de 45 mil casos da doença por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Além da alta incidência, a neoplasia registra altos números de mortalidade: dados do Observatório Global do Câncer, da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (Iarc, na sigla em inglês) apontam 900 mil mortes por esse tipo de tumor em todo o mundo, sendo considerado o segundo que mais mata mundialmente, atrás apenas do câncer de pulmão.
Esse tipo de câncer afeta o cólon (intestino grosso) e o reto, e é considerado um dos mais impactantes para saúde e qualidade de vida dos pacientes já que mais de 70% dos casos de câncer colorretal no Brasil são detectados em estágio avançado.
Mas então, é possível prevenir?
“Uma das principais formas de prevenir o tumor é manter hábitos saudáveis. É importante ter uma alimentação adequada, evitando industrializados, embutidos, defumados e enlatados, e manter uma rotina de exercícios físicos”, explica o oncologista cirúrgico do Hospital Amaral Carvalho (HAC), André Carvalho.
Médico oncologista André Carvalho do Hospital Amaral Carvalho (foto/divulgação)
A gordura corporal em excesso provoca a inflamação crônica do organismo, favorecendo o desenvolvimento de vários tipos de câncer, inclusive o colorretal. Por esse motivo, o médico destaca a necessidade de manter hábitos saudáveis e praticar atividades físicas para prevenção da neoplasia. Fumar e ingerir bebidas alcoólicas também são práticas que devem ser evitadas para prevenir a doença.
Mas, mesmo com uma rotina saudável, o rastreamento é necessário. O médico avalia que o câncer colorretal tem altas taxas de cura e, na maioria das vezes, é bem resolvido quando diagnosticado ainda no início. “É preciso ressaltar a importância do atendimento básico, realizado nas cidades de origem dos pacientes, como a consulta, o exame físico e toque retal para o diagnóstico. No entanto, o encaminhamento desse paciente para um centro especializado, como o Amaral Carvalho, faz toda a diferença”, afirma André Carvalho.
A colonoscopia é o principal exame para detecção do câncer colorretal e deve ser realizada a partir dos 45 anos, a cada dez anos. Além disso, ainda podem ser realizados exames como retossigmoidoscopia ou exame simples de sangue oculto nas fezes. Embora o ideal seja visitar um médico frequentemente para detecção da doença, alguns sintomas podem indicar algo errado. “Os primeiros sinais de alerta para o câncer colorretal são sangramento e alteração do hábito de funcionamento do intestino. No entanto, não esperar pelos sintomas é de extrema importância para o tratamento”, informa Carvalho.
Fatores de risco
Entre os fatores de risco estão idade igual ou superior a 50 anos, inatividade física, sobrepeso ou obesidade, alimentação pobre em fibras e o consumo excessivo de carnes processadas embutidas como mortadela, salsicha, linguiça, presunto e carne vermelha. Histórico familiar ou história pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou mama, também aumentam as chances de desenvolvimento desse tipo de tumor além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
Pesquisas apontam ainda que a incidência da doença tem aumentado entre pessoas mais jovens, como foi o caso da artista Preta Gil. A hipótese é de que seja reflexo da alimentação e do estilo de vida atuais.
Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn, assim como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC) também aumentar o risco do câncer de cólon. O médico destaca também a exposição ocupacional à radiação, como raios X e gama, como fatores de risco de desenvolvimento da doença.
Sugestão de legenda:
Foto 1: O Hospital Amaral Carvalho é referência para o Sistema Único de Saúde para o tratamento do câncer colorretal
Foto 2: Médico oncologista do HAC, André Carvalho


Comentários
Postar um comentário