*José Renato Nalini
O município de São Paulo foi o
primeiro a criar e a implementar uma Secretaria Executiva de Mudanças
Climáticas. E o PLANCLIMA, ambicioso plano de ação climática para o período
2020 a 2050, adotou cinco estratégias, das quais a quarta é “Mata Atlântica, precisamos
de você!”.
Só que esse bioma, no qual vivem 72%
da população e é responsável por 80% do PIB nacional, continua a ser
intensamente devastado. Somente em uma década, entre 2010 e 2020, perdeu mais
de 186 mil hectares de florestas maduras. Crime contra a humanidade, pois é o
espaço que abriga o maior estoque de árvores que sequestram carbono e biodiversidade.
País pródigo em normatizar com
excelência, haja vista a dicção do artigo 225 da Constituição da República, cuidou
de proteger legalmente esse bioma. A Lei da Mata Atlântica existe desde 2006,
mas é insuficiente para impedir a orquestrada ação dos dendroclastas.
Pastagens, culturas temporárias, edificação
de condomínios, tudo isso justifica a destruição de um patrimônio que ainda não
foi inteiramente descoberto. Menos floresta significa não só menor proteção das
encostas, redução no fornecimento de água, maior suscetibilidade a eventos
extremos, senão a proliferação de fatores que comprometem a saúde e apressam a
partida dos humanos para o mistério da morte.
Se a população não vier a se
converter em verdadeira guardiã da floresta, o extermínio do futuro continuará.
É mais do que urgente ampliar incentivos econômicos aos proprietários ainda
inconscientes, para que preservem ou restaurem suas áreas desmatadas. A
política do replantio precisa ser uma política estatal perseguida por todos:
população, município, Estado e União. Empresariado e Academia. Mídia e Igreja.
Partidos Políticos e Sindicatos.
A questão é de sobrevivência da
humanidade e não questão meramente ambiental. Somos parte da natureza. Se não a
conservarmos, nos matamos. Não adianta pregar “Mata Atlântica: preciso de
você!” e continuar a assassiná-la de forma cruel, insana e insensata.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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