Advogado analisa paralelos entre momentos históricos e o cenário atual, destacando o papel da inovação e da responsabilidade pública no enfrentamento dos desafios do país
Ao revisitar antigos marcos como a Aliança para o Progresso e a campanha “Doe ouro para o bem do Brasil”, o advogado e economista Paulo Akiyama identifica padrões que ainda se repetem na trajetória do país. Para ele, o Brasil de 2025 permanece preso a muitas das fragilidades que atravessaram as últimas décadas, embora também apresente oportunidades valiosas que exigem leitura crítica do passado para a construção de um futuro mais sólido.
“Essa reflexão começou quando reli minhas anotações e artigos de 2015. A recorrência de temas como instabilidade econômica, crises institucionais e desigualdade revela o quanto o país caminha por uma estrada cíclica. O presente continua ecoando o passado”, observa Akiyama.
Crises que se repetem e aprendizados que custam caro
A Aliança para o Progresso, idealizada por John Kennedy em 1961, perdeu força após seu assassinato e a ascensão dos regimes militares na América Latina. No Brasil, a ditadura instaurada em 1964 impôs repressão e instabilidade, ao mesmo tempo em que enfrentava choques econômicos globais. Com a redemocratização, surgiram expectativas de equilíbrio, mas a fragilidade das estruturas institucionais persistiu. A inflação, os planos econômicos frustrados, o confisco da poupança e os escândalos da política demonstraram, segundo Akiyama, como a promessa de estabilidade era constantemente adiada.
“O problema nunca foi só econômico. A ausência de visão de longo prazo, somada à prática de improvisos, comprometeu a construção de uma base sólida. A cada crise, voltávamos ao ponto de partida”, pontua.
Ele lembra que o Plano Real representou um divisor de águas ao controlar a inflação. Mas os governos seguintes, embora impulsionados pelo sucesso inicial, enfrentaram novas turbulências. “A Operação Lava Jato escancarou o sistema político, mas acabou deixando também um rastro de desgaste institucional. No lugar de estabilidade, ganhamos mais insegurança jurídica e uma polarização que não cessou desde então”, avalia.
Um país em encruzilhada
Com crescimento estimado em 2% e juros na casa dos 15%, o Brasil de 2025 ainda enfrenta incertezas econômicas. A inflação permanece acima da meta, e o consumo segue comprometido.
“Mais do que os indicadores, preocupa o sentimento coletivo de paralisia. A confiança nas instituições continua abalada, e a prisão de figuras públicas como o ex-presidente Fernando Collor não foi suficiente para restaurar a credibilidade perdida”, comenta o advogado.
A desigualdade também se mantém como obstáculo estrutural. Mesmo com programas de transferência de renda, o acesso desigual a serviços básicos e a concentração de riqueza impedem avanços consistentes. “Essa é uma barreira que não será superada com soluções paliativas. É preciso coragem para implementar políticas públicas duradouras e efetivas”, destaca.
Inovação, sustentabilidade e reformas como saída
Apesar dos impasses, o Brasil avança em algumas frentes. Áreas como energia renovável, agronegócio sustentável e tecnologia da informação mostram potencial competitivo e capacidade de adaptação. A digitalização dos serviços públicos também evoluiu desde a pandemia, embora ainda conviva com entraves clássicos como a burocracia e o custo Brasil.
“A inovação pode ser o motor de um novo ciclo de desenvolvimento, mas isso só acontecerá com um ambiente institucional mais confiável. Sem reformas sérias, continuaremos andando em círculos”, reforça Akiyama.
Para ele, é urgente destravar reformas como a tributária e a administrativa, estagnadas há anos, e resgatar a ideia de projeto nacional. “Não há futuro viável sem educação de base sólida, sem sustentabilidade real e sem um compromisso coletivo com a modernização. Precisamos amadurecer como sociedade, e isso exige esforço contínuo, não soluções pontuais”, conclui.
Sobre Paulo Akiyama
Paulo Akiyama é formado em economia e em direito desde 1984. É palestrante, autor de artigos, sócio do escritório Akiyama Advogados Associados e atua com ênfase no direito empresarial e direito de família.

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