*José Renato Nalini
O ano de 2024 foi o mais quente da
História. Será que 2025 será diferente? O aquecimento global existe, é
provocado por nós, que insistimos na utilização dos combustíveis fósseis,
emissores dos gases do efeito-estufa. Como a ciência se cansou de alertar e não
prestamos atenção, agora resta correr atrás do prejuízo. E o prejuízo é grande.
Principalmente para a saúde. As ondas de calor são mais letais do que as ondas
de frio. As altas temperaturas matam de forma silenciosa, mas eficazmente.
Dez cidades brasileiras registraram
recordes de calor, com temperatura superior a 43 graus. Goiânia e Cuiabá superaram
essa marca. Por isso, criou-se um Gabinete de Crise Climática. A cidade de São
Paulo, graças à antevisão do Prefeito Ricardo Nunes, já dispõe de uma
Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas. Mas todas as cidades precisam
pensar nisso. As emergências chegaram e não vão mais embora. Ao contrário, vão
se intensificar e ser mais frequentes.
A capital paulista instituiu o PPCV
– Plano de Prevenção de Chuvas de Verão, mas esse Grupo de Trabalho continuará
a trabalhar, porque o caos climático não permite afrouxar a vigilância. Já
funcionou, em verões passados, o sistema de tendas de refrigério, nas quais as
pessoas podiam tomar água, saborear frutas e medir sua pressão. Esse projeto
vai ser aprimorado para a criação de pontos de resfriamento em escolas públicas
e centros de hidratação em outros equipamentos.
Todas as cidades deveriam
multiplicar os seus instrumentos aquáticos: fontes, repuxos, espelhos d’água.
As comunidades mais adiantadas do planeta produziram enormes avanços nessa
questão. Paris é uma capital em que a dispersão aquática em praças é
intermitente e ajuda pessoas e fauna a se refrescarem.
Melhor seria que devolvêssemos às
cidades os riachos, córregos e demais cursos d’água que fomos fazendo
desaparecer, para produzir um espaço que favorece mais o automóvel, com o
fatídico trânsito, em lugar de atender aos humanos e aos demais viventes. Mas o
aumento do calor, com certeza, fará com que o juízo retorne à cabeça dos
racionais. É adaptar-se ou perecer.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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