*José Renato Nalini
Sei que o assunto é espinhoso.
Ninguém quer ouvir quem fala em desfavor da carne. Nem é meu intuito converter
eventuais leitores carnívoros, em fanáticos veganos ou vegetarianos. Mas apenas
trazer à reflexão de cada um, a responsabilidade por algo que a ciência
comprova. O gado é emissor de metano, um gás mais nocivo do que o gás carbônico.
É verdade. A ciência diz que o
excessivo aumento do número de bois e vacas é prejudicial à saúde. É que a
fermentação entérica, o “arroto” do boi, sua digestão de celulose, própria aos
ruminantes, emite o metano, um poderoso gás de efeito estufa.
O metano é responsável por aquecer o
planeta cerca de oitenta vezes mais do que o dióxido de carbono. Os cientistas
afirmam que uma forma de resfriar o planeta seria reduzir, drasticamente, as
emissões de metano.
Estamos caminhando em sentido
contrário. A expansão do rebanho bovino conduziu o Brasil a um espetacular
número de 238,6 milhões de cabeças de gado. É um exagero! Somos um país vacum,
ou seja, temos mais gado do que gente.
É claro que muito desse gado é
exportado para o estrangeiro. Somos o “celeiro do mundo”. O agronegócio é a
“salvação da lavoura”. Mas é preciso investir mais em tecnologia para que a
fermentação se reduza e isso não é impossível. A Embrapa é uma empresa que tem
orgulhado o Brasil e que não pode estar desatrelada da preocupação universal
com as emergências climáticas. Se o aquecimento global resulta das emissões dos
gases venenosos, e o metano parece o pior deles, é óbvio que um país civilizado
cuidará de reduzir tais emissões.
A cada um de nós incumbe contribuir,
ao menos um pouquinho, para que essa equação deixe de crescer. O movimento
“segunda sem carne”, para que nas segundas-feiras não se servisse carne durante
as refeições nas escolas, foi alvo de muita crítica. É conveniente sopesar vantagens
e desvantagens, antes de criticar aqueles que têm razões de sobra para se
preocupar com o futuro da humanidade. É melhor economizar no consumo de carne
do que deixar de existir. Quem é que ousa não concordar com isso?
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários
Postar um comentário