por Patrícia Souza Anastácio,
Como mulher cis gênero e negra, assumo que falar sobre
racismo é uma necessidade diária e constante, mas é como advogada especialista
em Direito do Trabalho que assumo completamente meu lugar de fala para afirmar
que a busca pela igualdade racial não é uma questão ideológica e sim uma missão
constitucional.
Com base no histórico da luta contra a discriminação racial
no Brasil, que passou a configurar crime somente a partir da Lei no 7.716/1989,
observamos o quão recente é a evolução dessa questão, frente aos quase 400 anos
de escravidão no país. E, mesmo diante de tamanha discrepância, precisamos nos
concentrar neste tempo presente, no momento em que a Constituição avança para
desconstruir o conceito de racismo estrutural que ainda oprime e segrega a população
preta.
Recentemente, tive a honra de conduzir um projeto valioso
para a comunidade do Direito. Como conselheira da Associação dos Advogados
(AASP), coordenei, ao lado do colega Cristiano Scorvo Conceição, uma das mais
relevantes publicações do meio no país – a Revista do Advogado, que trouxe à
tona os desafios e caminhos para a igualdade racial além dos limites da
advocacia. Essa é a primeira vez que o tema é abordado de forma tão completa
nesta publicação, e fico orgulhosa de fazer parte desse marco histórico de uma
associação que vem assumindo, cada vez mais, a conduta antirracista como um
importante pilar institucional.
Para que a abrangência ao tema fizesse jus à crescente
necessidade do enriquecimento do debate em todos os âmbitos que impactam a sociedade
atual, convidamos um grupo de profissionais a discorrer sobre o racismo sob a
ótica de cada área. O resultado foi um compilado de 22 artigos com conteúdos
que servirão, sem dúvida, para ampliar o diálogo sobre as questões raciais em
todas as esferas. Afinal, é preciso falar mais e mais. Até que chegue o dia em
que não seja mais necessário falar.
Sei que é um pouco utópico da minha parte acreditar em um
cenário futuro de completa igualdade racial no país, mas não deixo de acreditar
no poder do esclarecimento, do conhecimento e do combate à desinformação para
que realmente possamos enfrentar os impactos do preconceito.
O primeiro passo para isso é reconhecer que somos um país
racista, construído pela perspectiva de dominação, onde a cor da pele é um fator
crucial de diferenciação para o acesso, por exemplo, à educação, à saúde e ao
mercado de trabalho. Hoje, a população negra tem direitos garantidos por lei,
mas continua encontrando barreiras para o seu desenvolvimento. Basta olharmos
ao redor para entender que a representatividade ainda é deficitária em espaços
de poder, cargos de liderança nas empresas, entre outros ambientes ocupados
pela população branca na sua maioria.
Quando fazemos o recorte de gênero, a situação fica ainda
mais evidente: são, ainda, as mulheres negras a maioria em condições de
trabalho desprotegido ou de subutilização. Além disso, somos minoria na
ocupação de cargos de gestão.
Para mudar essa realidade, precisamos avançar na efetividade
do cumprimento das leis e ampliação de ações afirmativas voltadas para essa
parcela da população. E, sobretudo, é preciso que toda a sociedade se una em
favor de um futuro mais igualitário e justo para todos.
Patrícia Souza Anastácio, Advogada/ Conselheira da AASP/
Membra da Associação Nacional dos Advogados Negros (ANAN).
Como mulher cis gênero e negra, assumo que falar sobre
racismo é uma necessidade diária e constante, mas é como advogada especialista
em Direito do Trabalho que assumo completamente meu lugar de fala para afirmar
que a busca pela igualdade racial não é uma questão ideológica e sim uma missão
constitucional.
Com base no histórico da luta contra a discriminação racial
no Brasil, que passou a configurar crime somente a partir da Lei no 7.716/1989,
observamos o quão recente é a evolução dessa questão, frente aos quase 400 anos
de escravidão no país. E, mesmo diante de tamanha discrepância, precisamos nos
concentrar neste tempo presente, no momento em que a Constituição avança para
desconstruir o conceito de racismo estrutural que ainda oprime e segrega a população
preta.
Recentemente, tive a honra de conduzir um projeto valioso
para a comunidade do Direito. Como conselheira da Associação dos Advogados
(AASP), coordenei, ao lado do colega Cristiano Scorvo Conceição, uma das mais
relevantes publicações do meio no país – a Revista do Advogado, que trouxe à
tona os desafios e caminhos para a igualdade racial além dos limites da
advocacia. Essa é a primeira vez que o tema é abordado de forma tão completa
nesta publicação, e fico orgulhosa de fazer parte desse marco histórico de uma
associação que vem assumindo, cada vez mais, a conduta antirracista como um
importante pilar institucional.
Para que a abrangência ao tema fizesse jus à crescente
necessidade do enriquecimento do debate em todos os âmbitos que impactam a sociedade
atual, convidamos um grupo de profissionais a discorrer sobre o racismo sob a
ótica de cada área. O resultado foi um compilado de 22 artigos com conteúdos
que servirão, sem dúvida, para ampliar o diálogo sobre as questões raciais em
todas as esferas. Afinal, é preciso falar mais e mais. Até que chegue o dia em
que não seja mais necessário falar.
Sei que é um pouco utópico da minha parte acreditar em um
cenário futuro de completa igualdade racial no país, mas não deixo de acreditar
no poder do esclarecimento, do conhecimento e do combate à desinformação para
que realmente possamos enfrentar os impactos do preconceito.
O primeiro passo para isso é reconhecer que somos um país
racista, construído pela perspectiva de dominação, onde a cor da pele é um fator
crucial de diferenciação para o acesso, por exemplo, à educação, à saúde e ao
mercado de trabalho. Hoje, a população negra tem direitos garantidos por lei,
mas continua encontrando barreiras para o seu desenvolvimento. Basta olharmos
ao redor para entender que a representatividade ainda é deficitária em espaços
de poder, cargos de liderança nas empresas, entre outros ambientes ocupados
pela população branca na sua maioria.
Quando fazemos o recorte de gênero, a situação fica ainda
mais evidente: são, ainda, as mulheres negras a maioria em condições de
trabalho desprotegido ou de subutilização. Além disso, somos minoria na
ocupação de cargos de gestão.
Para mudar essa realidade, precisamos avançar na efetividade
do cumprimento das leis e ampliação de ações afirmativas voltadas para essa
parcela da população. E, sobretudo, é preciso que toda a sociedade se una em
favor de um futuro mais igualitário e justo para todos.
Patrícia Souza Anastácio, Advogada/ Conselheira da AASP/
Membra da Associação Nacional dos Advogados Negros (ANAN).

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