*José Renato Nalini
Embora o cenário possa parecer
desalentador sob muitos aspectos, o Brasil navega sobranceiro quanto ao seu
papel na transição energética. Ainda tem tudo para ser protagonista dessa
epopeia que reduzirá a emissão de carbono e garantirá uma economia embalada e
consistente.
Isso porque existem cento e dez
milhões de hectares de solo degradado disponíveis para o reflorestamento que
salvará a humanidade. Não é exagero dizer que o mundo precisa de um trilhão de
árvores e nosso país precisa ao menos de um bilhão de novas espécies arbóreas,
para repor um pouco do que se devastou nestes quinhentos anos.
Nossa água doce depende do
replantio. O empresariado tem descoberto que essa é a alternativa numa era em
que o mundo corre perigo. O que falta é vontade política e segurança jurídica.
Esta pode resultar de um exercício criativo do sistema Justiça, que deve
mergulhar no consequencialismo. Decisões que atrasam a economia são
prejudiciais a todos. De que adianta uma Justiça formal que condena milhões de
semelhantes à fome, ao desemprego, à morte?
A urgência está, ainda, no estímulo
à pesquisa e ao avanço científico. A economia verde está condicionada ao avanço
tecnológico e este se vincula a uma educação de qualidade e de uma pesquisa
séria. Já temos algo em termos de energia eólica, solar, a do biogás, rumo ao
hidrogênio verde. Os créditos de carbono constituem um atrativo ao capital
internacional e o Brasil não pode perder tempo com discussões estéreis. Tudo
coroado com o enxugamento do Estado. Muito Estado significa muito dispêndio,
muita burocracia, muito atraso.
A empresa foi a instituição que
conseguiu sobreviver a um Estado verdadeiramente hostil ao empreendedorismo.
Que ela agora demonstre resiliência para fornecer soluções para problemas que
podem ser resolvidos, se houver um pouco menos de apego à volúpia dos cargos
públicos e um pouco mais de amor pela igualdade, que no Brasil ainda parece
ficção.
A cidadania pode fazer sua parte
exigindo compostura do Estado e plantando árvores. Quem não plantar uma árvore
está em déficit para com as futuras gerações. Estas, para existirem, dependem
de água e oxigênio. Coisa que o petróleo mata, mas que o verde ressuscita.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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