*José Renato Nalini
Recente pesquisa realizada pela
Edelman Trust Barometer apurou que as empresas e os empregadores gozam de maior
confiança do que o governo. O setor privado faz, no Brasil, toda a diferença,
diante da ineficiência do Estado. A pandemia foi a mais vistosa demonstração de
que não se pode confiar na máquina estatal tentacular e paquidérmica,
interessada apenas em crescer vegetativamente e desinteressada da sorte dos
humanos que a sustentam.
Enquanto o Estado perde tempo e
gasta dinheiro para discussões políticas, sem a participação da cidadania, o
empresariado se organiza para socorrer os desvalidos. As doações registradas
durante a peste constituem prova cabal de que a empresa, apesar do trabalho
contrário do Estado, não só consegue sobreviver às vicissitudes, como pensa
também na razão para tudo o que se faz no mundo: o ser humano.
Converge com essa tendência a
intensificação da agenda ESG. O Brasil, que já foi exemplo ecológico, passou à
condição de “pária” ambiental, diante da predeterminada e estimulada destruição
da Floresta Amazônica e de outros biomas, inclusive a nossa tão próxima e
ferida Mata Atlântica.
A praga que ainda não nos deixou
escancarou a miséria. Os invisíveis foram vistos. Os excluídos formam legião.
Os desempregados desistem de procurar emprego, pois este é algo em acelerado
processo de extinção. Multiplicam-se os moradores de rua. E o Parlamento aprova
milionário Fundo Eleitoral, numa desfaçatez que em país civilizado daria
cadeia.
A governança corporativa empresarial
comoveu-se com os desassistidos e supriu o papel de um governo ególatra,
ineficiente, burocrático e incapaz de administrar as múltiplas crises que se
abateram sobre este país submetido a mais uma dentre as incontáveis provações
históricas suportadas nas últimas décadas.
A esperança do brasileiro tem de
residir, é fato, naqueles que conseguem sobreviver, a despeito da voracidade do
fisco, do menosprezo devotado ao maior patrimônio tupiniquim, sua
biodiversidade, do abandono da educação fundamental e da saúde.
Ainda bem que existem as empresas.
Mais empresas, menos governo. Que tal uma empresa para administrar a coisa
pública, diante da insuficiência dos quadros atuais e da insuportável
falibilidade da democracia representativa?
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da
ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.
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