A idade na diversidade

 

26 | JUL | 2021

Hoje é o Dia dos Avós no Brasil. Certamente veremos durante todo o dia posts e homenagens nas redes sociais, com imagens de pessoas idosas felizes e saudáveis, abraçadas a seus netos e suas netas. Mas, qual é a realidade desta população, sobretudo em um país mergulhado numa crise socioeconômica e ética que a cada dia parece não ter fim?

Se a situação já não era das melhores para quem chegou aos 50/60 anos no nosso país, ela se tornou ainda mais dramática com a pandemia da Covid-19. O idadismo – que, de forma simplificada, resume um preconceito etário – foi institucionalizado pelas ações do governo brasileiro em relação ao combate à pandemia.

A maior vulnerabilidade da população idosa ao coronavírus, comprovada cientificamente, foi agravada pelo total descaso governamental na garantia de um bem-estar mínimo para esta população. Diversos especialistas reforçam que muitas mortes de pessoas mais velhas poderiam ter sido evitadas, não fosse o negacionismo do Poder Executivo brasileiro.

E a Covid não afetou apenas a saúde dessas pessoas: ela mexeu profundamente com sua participação na força produtiva do país. Em 2020, a taxa de desemprego da população com 50 anos ou mais no Brasil chegou ao seu nível mais alto desde 2012, quando começa a série histórica da Pnad Contínua, do IBGE. No ano passado, houve o maior crescimento proporcional (7,2%) entre as três faixas etárias pesquisadas desde o início da série histórica. Foram mais de 400 mil brasileiros acima de 50 anos que perderam o emprego do fim de 2019 ao fim de 2020.

Em artigo publicado em maio na Folha, o médico gerontólogo Alexandre Kalache, presidente ILC-BR, e o engenheiro de software Mórris Litvak, coordenador da área de trabalho do ILC-BR e CEO da startup Maturi, mencionaram estudo feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, o SPC e a Offer Wise Pesquisas. O levantamento aponta que é crescente a participação dos idosos na renda familiar brasileira. “Cerca de 91% dos brasileiros com mais de 60 anos contribuem para o sustento da casa, representando, em 52% dos lares, as principais fontes de renda – um aumento de 9% desde 2018”. E complementam com uma observação bastante dolorosa: “Nos extratos socioeconômicos mais baixos, a morte de um idoso condena à pobreza a própria família”.

Entretanto, essa “condenação à pobreza” não vem apenas da morte. Parte disso certamente vem de uma marginalização no acesso ao mercado de trabalho, na requalificação profissional e na valorização de atributos adquiridos com o passar do tempo. A “experiência”, tão exigida dos jovens pelas empresas para garantir sua contratação, parece ganhar conotação de “vício” quando do outro lado estão pessoas mais velhas.

Lutamos há séculos para viver mais e melhor, e continuamos nesse processo evolutivo em busca de uma existência mais longa e mais saudável. No Brasil, criamos a expressão “melhor idade” para tentar positivar o envelhecimento. Entretanto, os números mostram que ainda não combatemos o idadismo como devemos – e podemos.

Kalache e Litvak deixam claro o que deve ser feito: “As empresas, organizações do terceiro setor e o poder público têm papel fundamental nesse processo e devem criar programas de reinclusão no mercado, qualificação técnica e comportamental, inclusão digital, planejamento financeiro, empreendedorismo e integração geracional. Caso contrário, faltará mão de obra qualificada e teremos um abismo social ainda maior entre os mais velhos”.

As companhias já estão compreendendo que a diversidade é peça-chave não apenas para melhorar seu desempenho financeiro, mas sobretudo para garantir sua sustentabilidade num mundo que vem criando paradigmas de desenvolvimento econômico. Basta, portanto, entender que uma equipe diversa inclui raças, gêneros, sexualidades e idades variadas.

Os vovôs e as vovós estão aí, ávidos, dispostos. Não querem mais apenas cuidar de netinhos e netinhas. Querem contribuir para um mundo mais plural.

Boa leitura!

#ARTIGOS

Fernando Cesário, Edenise Garcia, Mariana Soares  - O papel das florestas protegidas no combate às mudanças climáticas

Patrick Barkham - Should rivers have the same rights as people?

Luiz Antônio Gaulia - ESG: Airbag da reputação

Christiana Figueres - Para a CoP-26, acordo de Paris é fundamental

Opinião Valor - É preciso seguir estimulando os leilões de saneamento

Editorial Folha - Alerta energético

Claudio Bernardes - Micromobilidade, alternativa sustentável em tempos de pandemias

#ENTREVISTAS

Economia Verde - Em entrevista ao Convergência pelo Brasil, o engenheiro florestal e um dos grandes nomes do desenvolvimento sustentável da Amazônia, Mariano Cenamo falou sobre a economia verde e formas de gerar desenvolvimento a partir do uso sustentável da floresta.

Impactos Socioambientais - Em entrevista à Isto É Dinheiro, Leonardo Letelier, fundador e CEO da Sitawi, falou sobre os desafios atrelados ao ESG.

Equidade Racial - Em entrevista ao Estadão, o presidente da Vivo, Christian Gebara, falou sobre as metas de ESG, em especial de equidade racial dentro da empresa que é de 30% de lideranças negras até 2024.

Moda Sustentável - Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente da Renner, Fabio Faccio, falou sobre as estratégias da companhia para tornar a sua produção mais sustentável.

Cerrado - O jornal Correio Braziliense fez entrevista com a professora do departamento de Ecologia da UnB, Mercedes Bustamante, sobre a conservação do Cerrado brasileiro, que não ganha tanta atenção e que está mais desmatado do que a Amazônia em relação a sua área original.

Negócios Sustentáveis - A sócia da EB Capital, Luciana Antonioni Ribeiro, falou ao podcast NegNews, da Época Negócios, sobre a tendência de investimentos no Brasil que deve se basear em negócios sustentáveis e com práticas estruturadas em ESG.

#EMPRESAS

McDonald's anunciou meta de nos Estados Unidos promete ampliar a presença de negócios liderados por mulheres, negros e outros grupos em sua cadeia de suprimentos nos Estados Unidos.

Laticínio Scala recicla 98% do material descartado em suas três fábricas em Minas Gerais e também faz a logística reversa de suas embalagens.

XP tornou-se sócia minoritária da Resilia, que insere jovens de baixa renda no mercado de trabalho ensinando programação e habilidades sócio-emocionais.

Asics criou uniformes da delegação japonesa para as Olimpíadas por meio de reciclagem de peças usadas, coletadas entre a população.

#EVENTOS

Segurança Alimentar - O GT Marielle Franco (GTMF) do Instituto Clima e Sociedade promove no dia 29 de julho, às 18h, o lançamento da série “Mulheres Negras e Mudanças Climáticas”. O primeiro webinar debate o tema “Segurança Alimentar nos territórios tradicionais”, que tem como objetivo discutir com a comunidade climática a questão da segurança alimentar e sua relação com a mudança do clima, raça e gênero.

Financiamento - Três especialistas vão debater no dia 27 sobre o cenário de financiamento do clima no contexto internacional e como as metas globais podem ajudar a transmitir esses investimentos.

#AGRONEGÓCIO

Pecuária - Esta semana Roma vai sediar a reunião pré-Cúpula dos Sistemas Alimentares das Nações Unidas (ONU). A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e outros líderes da América do Sul vão defender a sustentabilidade da produção no continente, principalmente da pecuária, e tentar blindar os produtores das crescentes críticas na frente ambiental, principalmente dos europeus.

Produção de Alimentos - A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) voltou a chamar a atenção para a importância de as autoridades estudarem meios de amenizar os impactos da falta de água no setor produtivo e alta no preço dos alimentos.

#CLIMA

Descarbonização - A emissão de Créditos de Descarbonização (CBios) na B3 já alcançou 63,8% da quantidade que as distribuidoras de combustíveis precisam comprar até o fim deste ano para cumprirem com suas metas estabelecidas no âmbito do programa RenovaBio, segundo o ItaúBBA.

Semiárido - As estiagens prolongadas estão colocando em risco a agropecuária do Rio de Janeiro e também o meio ambiente no Norte e Noroeste do Estado, que podem se transformar em regiões subúmidas secas, em semiáridos, em 15 anos, por conta das alterações climáticas. Já há um Projeto de Lei na Câmara dos Deputados para criar um Fundo de Desenvolvimento Econômico para essa região.

Prêmio - A CoopCerrado, cooperativa brasileira de indígenas, em Goiás, está entre as iniciativas reconhecidas pela 12ª edição do Prêmio Equador, da ONU, que homenageia comunidades locais de todo o mundo que possuem soluções inovadoras, baseadas na própria natureza, para combater a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas.

Nível do mar - Matéria no portal Terra mostra como bairros, vilarejos, cidades, capitais e até países estão perdendo a batalha contra a subida do nível do mar e a erosão costeira. O avanço das águas resultará, além da destruição, na migração de milhares de pessoas.

#ENERGIA

Energia Limpa - No comunicado divulgado após cúpula sobre o clima, na última sexta-feira, o G20 reforçou o comprometimento com o processo de transição da matriz energética de uma base de combustíveis fósseis para renováveis.

Crise Hídrica  - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicou que pode haver um "esgotamento" de praticamente todos os recursos energéticos em novembro, no fim do período sem chuvas. O alerta foi feito devido à perspectiva de aumento no consumo de energia nos próximos meses.

Combustíveis Fósseis - De olho em seu projeto de expansão de US$ 13 bilhões, a Indian Oil Corp, diz que os combustíveis fósseis continuarão a ser peça fundamental da matriz energética do país.

Certificados Renováveis - Furnas vai oferecer uma plataforma para a emissão e comercialização de certificados de energia renovável baseada na tecnologia blockchain. A ideia é ter uma alternativa nacional aos I-Recs, a principal plataforma internacional de emissão dos certificados em uso atualmente.

#FINANÇAS

ETFs - Dados são da TrackInsight, uma plataforma de análise para investidores, mostrou que dos 758 ETFs disponíveis no mundo, nenhum deles menciona a erradicação da pobreza, ou seja, o tema não está na lista de prioridade dos fundos de investimento.

Culpa da Riqueza - Depois de ficarem mais ricos durante a pandemia, investidores dizem estar com a consciência pesada. É o que mostra uma pesquisa do banco suíco UBS, que revelou que 66% deles estão se sentindo culpados pela própria prosperidade, em plena pandemia.

Capital Aberto -Para responder um chamado dos investidores e ser um benchmark, empresas de capital aberto têm investido mais na gestão das iniciativas ESG, que atraem grandes investidores institucionais além de criar valor agregado e reconhecimento para a companhia.

#GOVERNANÇA

Empresas Familiares - Pesquisa da PwC mostra que questões ligadas à sustentabilidade recebem menos atenção de corporações familiares globais e nacionais. Avaliação do estudo Family Business Survey 2021 aponta que uma nova postura com priorização de metas sustentáveis e governança é fundamental para a longevidade das empresas.

Segurança - Com estrutura já estrangulada, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente (MMA) responsável por fiscalizar as unidades de conservação do País, tem usado seus brigadistas para fazer a segurança e proteção de suas sedes, equipamentos e bens apreendidos em operações, categorizando desvio de função.

Relações com Investidores - Pesquisa da Delloite mostra que a agenda ESG entrou no dia a dia da área de relações com investidores (RI), que precisam cada vez mais entender de temas como biodiversidade, economia de baixo carbono, energias renováveis, entre outros.

#INTERNACIONAL

Carros Elétricos - A venda de carros elétricos mais do que dobrou nos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano. Segundo pesquisa da Wards Intelligence, o crescimento ultrapassou o aumento de 29% das vendas totais de veículos.

#MEIO AMBIENTE

Agenda 2030 - Passados seis anos do pacto global, 82,8% das políticas para a evolução dos ODS no Brasil estão sob risco. O diagnóstico alarmante foi atestado por 106 especialistas do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil no Relatório Luz 2021.

Lixões - A indústria brasileira do cimento, por intermédio de sua entidade técnica, a ABCP, em parceria com consórcios públicos do estado de Minas Gerais, promoveu um evento para discutir a erradicação dos lixões e fortalecimento da economia circular, principalmente por meio da tecnologia de coprocessamento.

Brumadinho - Passados dois anos e meio da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, o trabalho de reflorestamento recuperou somente 1,13% do total devastado. A Vale calcula que levará dez anos para concluir a recomposição de toda a área atingida.

Árvores Olímpicas - As sementes plantadas pelos atletas que participaram da cerimônia de abertura da Olimpíada Rio 2016 brotaram e se transformaram na prometida Floresta dos Atletas, no Parque Radical de Deodoro. Dezenove meses depois do plantio, algumas árvores já medem 2 metros de altura e as frutíferas, como o cajueiro, já dão seus primeiros frutos.

#SOCIAL

Patrimônio Mundial - A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) começou a avaliar as candidaturas aos próximos patrimônios mundiais culturais e naturais. O Brasil é representado pelo Sítio Roberto Burle Marx (SRBM), em Barra de Guaratiba, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.

Realidade - A pandemia tirou o trabalho de faz-tudo de uma grande marca de moda de Allan Weber, que mora em uma comunidade em Cordovil, no Rio de Janeiro. Com isso, ele virou motoboy de entregas e passou a registrar em fotos a realidade social do lugar de onde vive. Todo o seu trabalho pode ser visto na galeria de arte montada por ele na comunidade.

Estratégia ESG é uma iniciativa de Alter Conteúdo em parceria com a agência epbr.

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