Mais de 450 mil vidas perdidas

 

25 | MAI | 2021

O país com a maior taxa mortalidade por Covid-19 do mundo alcançou a marca de 450 mil vidas perdidas. São 1.881 mortes por dia, uma entre você começar e terminar essa frase. O epidemiologista Eliseu Alves Waldman, professor do Departamento de Epidemiologia da Escola de Saúde Pública da USP, considera quase inevitável que a cepa indiana do coronavírus se espalhe rapidamente. Ao Globo, Francisco Roberto Balestrin de Andrade, presidente do SINDHOSP, diz que há sinais claros da terceira onda da Covid-19 no país e que, se nada for feito, podemos repetir o cenário de abril, com falta de UTIs e insumos.

O caminho para vencer o vírus e resgatar a economia, todos já conhecemos, passa necessariamente pela vacina, mas o ritmo de vacinação no Brasil está longe do ideal. O país tem hoje 8,2% da sua população vacinada com duas doses, muito longe dos 70% que nos deixariam livres da pandemia. Somos vítimas da desigualdade econômica global. Conforme série de matérias do Estadão, dados da OMS indicam que os países de alta renda, com 15% da população mundial, compraram 45% de todas as vacinas disponíveis.

Embora a pandemia tenha escancarado as fragilidades das conexões globais, parece que os governos ainda não aprenderam a lição. Há cerca de dez países da África que sequer aplicaram a primeira dose. A diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS, Katherine O’Brien, observa que o ritmo lento da vacinação favorece a circulação e a mutação do coronavírus, colocando em risco, inclusive, países com altas taxas de imunização. Em função desse cenário, Chris Beyer, epidemiologista e professor da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, alerta que a demora para imunizar a população mundial pode minar a primeira geração de vacinas contra a Covid-19.

O enfrentamento estratégico da epidemia – no Brasil e no mundo – é desafio ESG, conforme apontaram especialistas participantes de live realizada pelo jornal O Globo. Para a economista Gabriela Chaves, fundadora da NoFront (plataforma de educação e empoderamento financeiro), essa pauta ainda não evoluiu o suficiente no Brasil. Segundo ela, as pressões externas, como ameaças de embargo a produtos nacionais, aceleram a incorporação de conceitos ESG. Fábio Alperowitch, sócio-fundador da Fama Investimentos, destacou a concentração de debate no Brasil sobre o tema ambiental. Viramos ‘carbonocêntricos’, em detrimento a outras pautas igualmente importantes, como as ligadas à diversidade racial e de gênero, diz ele.

Há um caminho a ser trilhado, mas que exige visão holística e estratégica que envolve questões sociais, ambientais e de governança. O principal desafio hoje é o enfrentamento à epidemia de Covid-19 e não há mais tempo a perder com guerras de narrativas, como a que envolve o decreto apresentado pela Presidência da República, com parecer favorável da AGU, para proibir as redes sociais de apagar publicações ou suspender usuários sem ordem judicial.

Na prática, as redes não poderiam remover conteúdos fraudulentos e desinformações, tais como as notícias promovendo tratamentos ineficazes contra a Covid-19, por exemplo. Um retrocesso. Mais um.

Boa leitura!

#DESTAQUE

Impeachment de Salles - Pela primeira vez na história da República, o Supremo Tribunal Federal pede o impeachment de um ministro de Estado. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, enviou à PGR o pedido de impeachment do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, apresentado por parlamentares de oposição. Os deputados decidiram enviar a solicitação diretamente ao STF, depois da realização da operação Akuanduba. O mesmo pedido, por sinal, já havia sido apresentado à PGR, em junho de 2020, mas não houve encaminhamento da representação.

Não há precedentes - desde a criação da lei 1.079, de 1950, que define os crimes de responsabilidade - de ações de impeachment contra ministros de Estado que tenham seguido até o fim no STF. O mesmo governo Bolsonaro foi alvo de outra ação por crime de responsabilidade contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub, também encaminhado ao STF por deputados e senadores, arquivado por Ricardo Lewandowski sob a argumentação de que "só a PGR pode pedir esse tipo de ação à Corte." A História avança e, como dizia Camões, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...".

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