O Paço Municipal de Jales não pode mais ser ocupado por quem busca satisfazer suas vaidades e interesses. Leia em FolhaGeral

A malversação
de dinheiro público tem colocado Jales em destaque. Em 2018, na deflagração da Operação “Farra no Tesouro” – por desvio de alguns milhões de reais –, a Polícia Federal cumpriu 13 mandados de busca e apreensão; e aprisionou cinco pessoas.
Novo destaque
aconteceu em 2019 com a execução da segunda fase da mesma Operação, ampliada com investigação de contratos de seguro de veículos. A Polícia Federal cumpriu seis mandados de busca e apreensão; e aprisionou duas pessoas.
Esta semana
(terça-feira, dia 20), a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação, adicionada de investigações de irregularidades na construção de casas populares na cidade. A operação levou seis pessoas à prisão.
Desta vez,
a operação policial se deu por conta de investigações sobre o caso, recentemente denunciado por moradores, da construção de 99 casas – da CDHU/Prefeitura – no Residencial Honório Amadeu, onde apareceram sérios problemas construtivos.
Este caso do
Residencial Honório Amadeu envolve sócios da empresa construtora, ex-vereador de Jales, ex-secretário municipal de Jales, um parente do atual prefeito e até um desconhecido do povo de Jales. Por isto, notícia foi parar em muitos sites, blogs, jornais, rádios e televisão.
Os analistas

lá do botequim da vila lamentam o fato de que Jales continue sendo alvo de atos praticados por aventureiros em busca de vantagens ilícitas. Além desses sobressaltos, a população tem que conviver com os políticos que nada vêem, nada ouvem e nada falam.
No dia 29
(quinta-feira), os 3 candidatos a prefeito de Jales vão se enfrentar num debate promovido pela Associação Comercial e Industrial de Jales (ACIJ), com transmissão na rede social. São eles: Aílton Santana (PV), Luís Especiato (PT) e Luís Henrique (PSDB).
Debates entre
candidatos é comum nas democracias. Porém, uma coisa é votar com base nos debates. Outra coisa é obter no futuro o desempenho esperado dos escolhidos. Porém, os debates também servem decidir o voto em branco, o voto nulo e a abstenção.
A qualificação
dos candidatos deve ser considerada pelos eleitores. Todos têm graduação superior. Aílton Santana é profissional nas áreas de ciências contábeis e consultoria, Luís Especiato é professor e diretor de ensino, Luís Henrique é empresário.
Os eleitores
que assistirem ao debate – prestando atenção nos partidos políticos e nas ideologias dos candidatos – vão literalmente “cair do cavalo”. No Brasil hoje existem 33 partidos políticos que defendem diferentes grupos e ideologias. Mas isso só na teoria.
Outro erro,
frequentemente cometido por eleitores em todo o mundo, é votar por simpatia. E quando a simpatia vira idolatria acontecem disputas apaixonadas que resultam em crises que inviabilizam o progresso. É preciso ter cuidado.
Lá no botequim
da vila, os analistas estão de antenas ligadas, aguardando os acontecimentos. Eles recomendam agir com a prudência dos bons negociantes: pesar a opinião dos candidatos, a segurança como falam, a qualidade do que dizem.
De fato,
candidato que elogia a si mesmo, critica seus concorrentes, faz promessas com facilidade e desconhece os problemas do dia a dia da população, devem ser percebidos pelo bom senso dos eleitores e descartados.
O Paço Municipal
de Jales não pode mais ser ocupado por quem busca satisfazer suas vaidades e interesses. Está certo que Jales não é um município decadente. Guarda enormes potencialidades de desenvolvimento. Mas está caminhando a passos trôpegos.
Na lista
de gestores com contas julgadas irregulares para fins eleitorais – atualizada neste 23 de outubro, as 5 horas –, enviada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo TCU (Tribunal de Contas da União), aparecem os nomes de 4 ex-prefeitos da região de Governo de Jales.
Um deles
se cadastrou para disputar o pleito de 15 de novembro. Até o momento do fechamento desta coluna, seu registro havia sido deferido. Antes de mais ninguém, os candidatos devem se manter enquadrados na Ficha Limpa.
Dados
nas fichas dos ex-prefeitos informam, que o Trânsito em Julgado das decisões do TCU datam de 15/12/2018, 2/11/2018, 8/4/2017 e 3/9/2013 e, respectivamente vão vencer (data final) em 15/12/2026, 2/11/2026, 8/4/2025 e 3/9/2021. Um ex-prefeito tem duas condenações.
Segundo
o TSE, candidatos, partidos políticos ou coligações podem utilizar as informações contidas na lista do TCU para impugnar o pedido de registro de candidatura de possíveis concorrentes no prazo de cinco dias contados da publicação do edital do pedido de registro. A impugnação deve ser feita mediante petição fundamentada.
A Polícia Militar
de Sergipe prendeu nesta quarta-feira (dia 21) o candidato a vereador de Carira (SE), Edilvan Messias dos Santos, mais conhecido como Vanzinho de Altos Verdes (PSD). Ele foi flagrado com R$ 15,3 mil em dinheiro vivo na cueca.
As investigações
geram suspeitas de que o dinheiro seria utilizado na compra de votos. O candidato disse à PM que estava no povoado fazendo sua campanha eleitoral, juntamente com seu candidato a prefeito. E que o dinheiro em sua posse era para comprar um veículo, pois havia recebido esse dinheiro vivo no município de Itabaiana (SE).
Depois de ser
conduzido à delegacia, o candidato foi solto. O material de propaganda eleitoral e o dinheiro ficaram apreendidos. O diretório municipal do PSD se manifestou, afirmando repudiar atos de ilegalidade. O caso será analisado pelo partido.
Este fato real
poderia até ser interpretado como um caso do folclore nordestino. Mas há muita gente em Jales que ainda se lembra que, há pouco mais de vinte anos, nas épocas de eleições as agências bancárias recebiam pedidos de grandes saques em dinheiro vivo.
Em Boa Vista,
capital de Roraima, cidade com população de 400 mil habitantes, no dia 14 (quarta-feira), a Polícia Federal cumpriu sete mandados de busca e apreensão sobre dinheiro desviado da Saúde. Um deles, na casa do senador Chico Rodrigues (DEM).
Foi encontrado
o montante de R$ 33.150,00  após um dos policiais visualizar um grande volume na parte traseira das vestes do senador.  Na busca pessoal, o montante estava no interior da cueca do senador, próximo às suas nádegas.
O senador
Chico Rodrigues tem um ótimo currículo. É empresário e político, ex-governador do Estado de Roraima. Formou-se na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, no Colégio Militar do Recife e na Universidade Católica de Pernambuco.
Ele tomou
posse como Senador da República em fevereiro de 2019 e é vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Senado desde março do mesmo ano. Um dia após o escândalo, o presidente Jair Bolsonaro desconversou: disse que não há corrupção em seu governo e acusou a imprensa de tentar associar o caso ao Palácio do Planalto.
Por coisas
assim, que acontecem aqui, lá e acolá – na política –, ocorre o desencanto político. Em 2018, no primeiro turno, um eleitor jalesense votou em Guilherme Boulos (PSOL) – entre os 13 postulantes à presidência – por ser ele o mais jovem, com 36 anos de idade.
Na semana
seguinte, o eleitor vê na televisão Guilherme Boulos abraçado ao candidato Fernando Haddad (PT), prestigiando-o no segundo turno. O eleitor se sentiu traído. Por que Boulos não avisou antes que também era petista?
Apesar de
tudo isso, construir uma democracia é como aprender a andar de bicicleta. Tem que tentar várias vezes, acertando e errando, caindo algumas vezes. Mas isso tem que ser feito com os cuidados necessários para alcançar bons resultados.

 

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