Apesar
da maioria dos óbitos se concentrar na terceira idade, não há
levantamento sobre quantos foram em lares de longa permanência
Prefeitura de Esteio transferiu 10 moradores de casa geriátrica para centro de cuidados no parque de exposições Assis BrasilEduardo Baratto Leonardi / Prefeitura de Esteio
A pandemia do coronavírus causou
até aqui mortes em asilos de todo o país, provocou testagem em massa em
instituições e fez até com que abrigados tivessem de ser isolados em
outros locais para frear a disseminação da covid-19. Os óbitos foram
registrados em diversos locais, mas principalmente em São Paulo — o Estado mais populoso e também o epicentro da doença no país.
Apesar
de a maioria dos óbitos pelo coronavírus no país se concentrar na
população idosa, não há um levantamento sobre quantos deles foram
registrados em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs).
O
centro de cuidados, que não tinha recebido ninguém até então, atenderia
inicialmente casos suspeitos da doença em asilos, mas o plano foi
alterado para abrigar os idosos que não contraíram o coronavírus. Passo Fundo é outra cidade do Estado com registro de mortes.
Em
São Paulo, as mortes passam de 250, considerando-se apenas algumas das
principais cidades, como a capital, Piracicaba, Botucatu, Ribeirão
Preto, Itu, Campinas, São José do Rio Preto e Hortolândia. Um mapeamento
produzido pela Promotoria em 449 instituições revelou 190 óbitos e 755
casos até 12 de junho apenas na capital, numa população abrigada de
10.476 pessoas com mais de 60 anos.
Em
Piracicaba, a situação é uma das piores no país, com 22 mortes
registradas nos abrigos para idosos. No Lar Betel, foram 10 mortes entre
os 48 moradores que foram confirmados com a doença. Nesta sexta, o
total de idosos na instituição era de 69.
Dos
77 funcionários, 35 tiveram a doença. O cenário fez a entidade
transferir os idosos que não tiveram o coronavírus para um hotel de
Piracicaba, que isolou uma ala para recebê-los.
Segundo
o promotor Luiz Sergio Catani, que abriu procedimento administrativo
sobre as mortes nas instituições, elas estão sendo devidamente
acompanhadas pela Secretaria da Saúde local.
Mas,
além de Piracicaba, outras grandes cidades paulistas também têm
registrado avanço da doença, como Ribeirão Preto, que teve sete mortes
até agora, três delas no Lar Padre Euclides, onde também foram
detectados 19 casos positivos da doença. Duas mortes ocorreram na Ombro
Amigo, que teve 12 idosos e um funcionário diagnosticados com covid-19.
Outras duas foram registradas na Casa do Idoso e no Lar dos Velhos. A
cidade tem mais de 80 estabelecimentos do gênero.
—
Toda essa população tem sido monitorada e cuidada para não deixar que
um pequeno surto, de dois, três ou quatro casos possa se transformar e
pegar uma instituição que tenha 80 pessoas abrigadas. Aí a gente acaba
perdendo muitas vidas, como vimos acontecer em outras cidades — disse o
secretário da Saúde de Ribeirão, Sandro Scarpelini.
Outras instituições do gênero registraram mortes em cidades do interior como Botucatu, Guapiaçu, Campo Limpo Paulista e Urânia.
Já no Espírito Santo,
um relatório produzido pelo centro de apoio cível e defesa da cidadania
do Ministério Público Estadual mostra que, até o último dia 12, 239
casos foram registrados em instituições de idosos no Estado, sendo 120
em moradores e 119 em funcionários. Dos 120 idosos, 23 morreram. Os
casos entre idosos estão distribuídos em nove cidades. Vila Velha, com
40, é a cidade com mais registros, à frente da capital, Vitória, com 33.
Na
cidade de Serra, o total de idosos contaminados saltou em uma semana de
15 para 31, ou 106,6% mais. "Com relação ao número total de óbitos das
pessoas idosas, identifica-se um aumento de 21,05%, ou seja, passando de
19 para 23, sendo que o município de Serra apresentou três novos casos e
Guarapari, o primeiro", diz trecho do documento.
No Paraná, houve casos em Londrina. Em Minas Gerais, Carmo do Cajuru e Belo Vale são algumas das cidades com confirmações de mortes de idosos, enquanto Santa Catarina registrou óbitos em cidades como Camboriú e Palmitos.
Mudar hábitos
Com
o avanço de casos dentro dos asilos, iniciativas têm surgido para
tentar conter o crescimento da doença. Este é o caso de um projeto
desenvolvido pelo grupo de estudos sobre zoonoses da Faculdade de
Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) junto a
16 dos 35 asilos da cidade mineira.
Por
meio de 10 jogos criados pelos participantes do projeto, os idosos
recebem informações sobre métodos de prevenção da doença. A medida deve
beneficiar mais de 500 idosos da cidade, que já passou de 4 mil casos da
doença.
— Muitos têm
dificuldade de entender que é preciso se cuidar e quisemos levar
informações para eles de forma mais lúdica. Há uma certa resistência a
mudar hábitos — disse a coordenadora do projeto, Roberta Torres de Melo,
docente de saúde pública veterinária da UFU.
Nos
jogos criados, são feitas associações sobre a importância de se
cuidarem para manterem a alegria em suas famílias e como pequenas
medidas são essenciais para cuidar da saúde. Cada idoso recebeu uma
embalagem de álcool 70% e máscara artesanal com três camadas de tecido.
— No final, a gente quer tentar mensurar se conseguiremos ajudar a controlar um pouco a covid-19 dentro dos asilos — afirmou.
Medidas
para evitar a disseminação da doença também têm sido tomadas em
Paraguaçu Paulista, no interior paulista. Após uma idosa de 84 anos que
mora numa clínica particular ter sido internada com suspeita da
covid-19, a prefeitura fez testes e encontrou três casos positivos. A
idosa segue na UTI da cidade, enquanto os outros dois estão isolados na
entidade.
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