Levantamento
realizado pela Secretaria Nacional do Consumidor em supermercados identificou
alta de alimentos em todo o país, principalmente o feijão, entre os meses de
março e abril.
No geral, o preço do
feijão teve aumento de até 70%, valor considerado abusivo, sem justificativa
aparente; segundo o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, em seu artigo
39, inciso X, o estabelecimento que realiza prática delituosa de aumento de preços
de alimentos, sem justificativa, fica sujeito a multa do estabelecimento e
outras penalidades que pode até resultar em prisão.
Um motivo hipotético,
poderia ser por causa do novo coronavírus e seus reflexos com o isolamento
social que estaria elevando os custos de produção e transporte. Isto, no
entanto, não é motivo para se justificar a alta praticada: as oscilações na
produção até que existem, de certo modo, mas os custos de transporte ficaram
bem menores que o habitual, com a queda no preço dos combusíveis.
De acordo com laudo
técnico elaborado pelos socioeconomistas da Embrapa Arroz e Feijão, Alcido
Wander e Carlos Magri, as incertezas relacionadas à quarentena levaram alguns
consumidores a adquirem quantidades maiores do produto para estocar, além do necessário,
gerando demanda aquecida, o que elevou os preços.
“com o isolamento
social e a consequente alimentação das famílias acontecendo em casa, causou
choque de demanda, fazendo o consumo de alimentos básicos como é o caso do
feijão passar a ser maior do que vinha sendo em outros anos. Acredita-se,
porém, que a corrida desesperada às compras já está passando e as pessoas estão
compreendendo que a cadeia de suprimento está normal e continuará assim, sem
interrupções, não sendo necessário fazer estoques em casa”, explicou Alcido
Wander.
Outro fator
importante é que o mercado de feijão é muito dinâmico e as empresas não
trabalham com estoques, pois o feijão com melhor qualidade culinária é feijão
comercializado logo após a colheita.
Desta forma, quaisquer
oscilações ou atrasos na colheita, o mercado reage imediatamente. O lado
positivo, é que na mesma velocidade o mercado recua os preços quando a oferta
volta ao normal.
Os socioeconomistas
da Embrapa destacaram, ainda, que o momento de maior busca de feijão foi
março e abril, mas que ao longo das semanas subsequentes começam a cair, e
possivelmente, chegam à normalidade, até porque a produção e a oferta são
contínuas.
"Considerando
que o ciclo de cultura do feijão é pequeno, 60 a 90 dias, com o lançamento de
cultivares de ciclo mais precoce e resistentes a doenças, será possível ampliar
as possibilidades de produção de feijões dentro do Brasil em termos de épocas e
regiões produtoras, de modo que aumenta a possibilidade de se retornar à
normalidade mais rapidamente a partir de situações de desabastecimento
momentâneo", concluiu Alcido.
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