A União Nacional dos Juízes Federais do Brasil (Unajuf) pediu ao procurador-geral da República Augusto Aras que denuncie o senador licenciado Cid Gomes (PDT), de 56 anos, por tentativa de homicídio qualificado “com emprego de meio resultante em perigo comum” e de “impossibilidade de defesa das vítimas”.
O pedido tem relação com o episódio em que o senador foi
atingido por dois tiros de pistola ao tentar derrubar, a bordo de uma
retroescavadeira, o portão de um quartel da Polícia Militar ocupado por
soldados grevistas e seus familiares em Sobral, no interior do Ceará, na
quarta-feira (19).
A representação protocolada nesta
quinta-feira (20) junto à Procuradoria-Geral da República alega que,
“com intenção dolosa, previamente orquestrada e amplamente anunciada”,
Cid “arremessou” a retroescavadeira contra as pessoas que se colocavam
em frente ao portão do quartel da PM em Sobral.
No mesmo dia os deputados federais Capitão Wagner
(Pros-CE), Major Fabiana (PSL-RJ) e Capitão Alberto Neto
(Republicanos-AM) registraram boletim de ocorrência contra Cid Gomes sob
a justificativa de que o senador atentou contra a vida dos policiais
militares em Sobral.
O texto da Unajuf transcreve fala do senador que, em
frente ao quartel, pediu que os manifestantes deixassem o prédio, usando
um megafone. “Esse movimento é ilegal. Vocês têm cinco minutos para
pegarem seus parentes e saírem daqui em paz. Cinco minutos.” Houve
confusão. Enquanto Cid e seus apoiadores estavam de um lado do portão,
homens encapuzados ficavam do outro lado.
Segundo a Unajuf, o meio utilizado por Cid “indica um
real e potencial risco do evento morte daqueles que ali estavam”. A
entidade argumentou ainda que os dois tiros de pistola calibre .40 que
atingiram a região do tórax de Cid se trataram de “legítima defesa”. O
senador recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do
Coração de Sobral nesta quinta e fica agora aos cuidados da enfermaria.
“Pela rápida ação dos que ali estavam, houve a legítima
defesa de uma ou mais vítimas, que fizeram cessar a carnificina
eminente, realizando disparos de projéteis de arma de fogo rumo ao autor
do fato, que por sorte ou perícia dos que realizaram se logrou êxito
contra o agente criminoso, tanto que só assim cessou a conduta
hedionda”, pontua a representação.
O comando da PM do Ceará trata dos disparos também como tentativa de homicídio.
Ao fim da representação, a Unajuf pede, caso a PGR não
entenda que é o caso de promover ação penal, que seja instaurado
inquérito do Ministério Público para colher elementos sobre o episódio.
TENSÃO
A tensão envolvendo o governo cearense e policiais
militares e bombeiros começou por uma demanda de reajuste salarial em
dezembro. Quatro batalhões da PM foram atacados, segundo o governador do
Estado, Camilo Santana (PT), aliado político de Cid.
As ações foram executadas por encapuzados. O governo
suspeita que os responsáveis sejam policiais. Por isso, Santana
solicitou o apoio de tropas federais para reforçar a segurança.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro,
autorizou na quarta o envio da Força Nacional de Segurança Pública para o
Ceará. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o emprego das
Forças Armadas no Estado.
Os ministros do Supremo criticaram nesta quinta a
paralisação dos PMs em Sobral, sob a alegação de que o movimento é
“ilegal”. A Constituição Federal proíbe a sindicalização e a greve de
militares.
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