Perspectivas de um estudante moçambicano no Brasil

por AmrAbubakr (foto) e  Flávio Rodrigo Masson Carvalho


Eu não queria estudar no Brasil. Queria ir a um país onde falam inglês como Inglaterra ou Estados Unidos, ou mesmo Portugal, onde tenho família e amigos. Mas cá estou, e fiquei surpreso com o que vi aqui.
Minha visão do Brasil era muito diferente da realidade. Eu, como outros, pensava que o Brasil era um país em que o índice criminal é alto e pensava que era só balada aqui. Bem na verdade é assim, mas não da forma que eu esperava.
Acredito que vir até aqui me fez bem, porque eu não sabia valorizar meus amigos, minha família, meu país e a mim mesmo antes de vir aqui. Percebi que tive que me afastar um pouco para ver as coisas como realmente são, descobri que tinha as crenças erradas acerca do mundo e do sexo oposto, julgava que não gostava de mim mesmo e culpava os outros por coisas que estavam sobre o meu controle. O Brasil pode não ter sido o país onde eu desejava estudar, mas me ajudou a ver as coisas de uma forma diferente. A faculdade onde eu estudo, a Uniamérica, também tem uma metodologia diferente. Temos trabalhos práticos, e a forma que nos ensinam é muito melhor do que a forma que eu aprendia normalmente na secundária. Os professores sabem explicar, temos profissionais qualificados como professores, e isso me faz perder a vergonha de perguntar algo porque sei que não serei gozado por não saber.
Aqui eu estou a crescer mentalmente e espiritualmente, e estou a adorar o processo, por mais que seja doloroso as vezes.
As pessoas são receptivas, e é fácil se comunicarem comigo porque ficam curiosos por saber de onde sou quando ouvem meu sotaque. Por enquanto ainda não fiz amizades fortes aqui, mas creio que isso vai mudar no futuro próximo.
Ainda verei o que mais o Brasil tem para me oferecer.
AmrAbubakr é um estudante de engenharia mecânica na Uniamérica de Foz do Iguaçu, Paraná, é natural de Moçambique, e está a menos de um ano no Brasil.
Amr escolheu engenharia mecânica porque gosta de carros e quase todos os componentes que compõe um carro. Pretende fazer RaceEngineering como mestrado. Moçambique, oficialmente designado como República de Moçambique, é um país localizado no sudeste do Continente  Africano, banhado pelo Oceano Índico a leste e que faz fronteira com a Tanzânia ao norte;  Malawi e Zâmbia a noroeste;  Zimbabwe a oeste e  Suazilândia e África do Sul a sudoeste.   A capital e maior cidade do país é  Maputo, anteriormente chamada de Lourenço Marques, durante o domínio português.
Moçambique é dotado de ricos e extensos recursos naturais. A economia do país é baseada principalmente na  agricultura,  mas o sector industrial, principalmente na fabricação de alimentos, bebidas, produtos químicos,  alumínio  e petróleo,  está crescendo.   O sector de  turismo do país também está em crescimento. A África do Sul é o principal parceiro comercial de  Moçambique e a principal fonte de investimento  direto estrangeiro.  Portugal,  Brasil,  Espanha  e  Bélgica  também estão entre os mais importantes parceiros económicos do país. Desde 2001, a taxa média de  crescimento  económico  anual do PIB moçambicano tem sido uma das mais altas do mundo. No entanto, as taxas de PIB per capita,  índice de desenvolvimento humano  (IDH), desigualdade de renda e expectativa de vida de Moçambique ainda estão entre as piores do planeta,  enquanto a Organização das Nações Unidas(ONU)  c onsidera Moçambique um dos países menos desenvolvidos do mundo.
A única língua oficial de Moçambique é o português, que é falado principalmente como segunda língua por cerca de metade da população. Entre as línguas nativas mais comuns estão o macua, o tsonga e o sena. A população de cerca de 29 milhões de pessoas é composta predominantemente  por povos bantos. A religião mais popular em Moçambique é o cristianismo, mas há uma presença significativa de seguidores do  islamismo.  O país é membro da União Africana, da  Commonwealth  Britânica, da  Comunidade dos  Países de Língua Portuguesa  (CPLP), da União Latina, da  Organização da Conferência Islâmica, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral e da  Organização Internacional da Francofonia.
Que o Brasil acolha Amr com todo carinho e respeito que ele merece, assim como devemos acolher todos os imigrantes que escolham o Brasil para viver.

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