Denúncia do Ministério Público aponta que Marcelo Florêncio recebeu propina por atuar como informante de criminosos em 2017. Defesa vai pedir revogação da prisão preventiva.
Por G1 Ribeirão Preto e Franca
O investigador aposentado Marcelo Florêncio foi alvo de uma prisão preventiva após ser acusado de ter mantido ligações com o tráfico de drogas quando atuou na Polícia Civil em Vista Alegre do Alto (SP). O Ministério Público denuncia que ele recebeu propinas de R$ 2 mil por atuar como informante de um grupo criminoso da região.
A prisão, confirmada nesta sexta-feira (24) pelo Ministério Público, ocorreu na quarta-feira (22) no Fórum de Pirangi (SP), onde o ex-policial civil de 51 anos tinha ido cumprir outros compromissos com a Justiça.
Florêncio, que responde por corrupção passiva e colaboração com o tráfico de drogas, foi levado ao Presídio da Polícia Civil em São Paulo ainda na quarta-feira.
Procurado pelo G1, o advogado de defesa Ricardo Ibelli informou que entraria nesta sexta-feira com um pedido de revogação da prisão preventiva na Comarca de Pirangi e que, em caso de recusa, entrará com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Segundo Ibelli, Florêncio se aposentou como investigador da Polícia Civil em fevereiro de 2018, tem residência fixa em Taiaçu (SP), não tem antecedentes criminais e deve responder ao processo em liberdade.
A denúncia
Os fatos apontados pelo Ministério Público ocorreram em 2017 e foram alvos de um inquérito concluído este ano pela Corregedoria da Polícia Civil que indiciou o investigador, segundo o promotor Leonardo Bellini de Castro, autor da denúncia encaminhada à Justiça na quarta-feira.
De acordo com a investigação, nos dias 26 de julho e 25 de agosto daquele ano Florêncio recebeu de um homem investigado por envolvimento com o tráfico de drogas propinas que somaram R$ 2 mil. O dinheiro, segundo a denúncia, seria uma compensação para omitir ou retardar atos de ofício como policial em Vista Alegre do Alto.
Os indícios foram levantados a partir das apreensões em um veículo em 30 de agosto de 2017. No automóvel, policiais militares encontraram, além de porções de maconha e crack, e R$ 604,50, um recibo de depósito de R$ 1 mil destinado ao investigador Marcelo Florêncio feito cinco dias antes, segundo o Ministério Público.
No veículo também foi encontrado um aparelho celular, onde a perícia identificou, após obter autorização judicial, trocas de mensagens realizadas desde junho entre o homem apontado como traficante e o investigador.
Segundo o MP, os diálogos deixaram evidências de que Florêncio comunicava traficantes sobre operações policiais e cobrava providências dos criminosos sobre indivíduos que atrapalhavam a atividade do tráfico.
"Considerando o teor das conversas, bem como as ligações efetuadas e os depósitos realizados em favor de MARCELO, infere-se que ele recebeu vantagem ilícita para prestar informações sobre o policiamento, tudo obviamente a fim de proteger atividade ilícita", descreve a denúncia.
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