Venezuela, aqui

Reginaldo Villazón

A proximidade das eleições de 2018 coloca em evidência, especialmente, os candidatos à presidência da República e suas posições nas pesquisas eleitorais. O povo brasileiro sente que precisa formar opinião dentro de um cenário confuso. Os sistemas político, jurídico, administrativo, econômico e social estão atrapalhados.

Por muito tempo, o povo foi forçado a acreditar que os políticos eram eleitos democraticamente e representavam exatamente o povo (nas virtudes e nos defeitos). Mas a ilusão foi desfeita. Hoje o povo sabe que a nossa democracia é imperfeita e precisa sofrer profundas reformas. Sabe também que os detentores do poder político-econômico agem acima de tudo no interesse próprio.

A ocasião eleitoral se apresenta propícia ao povo – para dar uma guinada na direção do país –, visando consertar o desmantelo geral, superar os sofrimentos sociais e entrar num novo ciclo de progresso. Então, chega de ouvir discursos bonitos, chega de confiar em promessas perfeitas, chega de votar na simpatia dos candidatos.

As pesquisas eleitorais colocam na liderança das intenções de voto dois nomes fora do padrão usual. O primeiro, Lula, metalúrgico aposentado, ex-presidente da República, atualmente presidiário. O segundo, Bolsonaro, capitão do exército brasileiro na reserva e deputado federal polêmico. Ambos se distanciam politicamente com nitidez. Lula se situa na esquerda e Bolsonaro na direita.

A situação geral no Brasil é crítica e as tendências eleitorais extremas têm rendido notícias alarmistas, sugerindo que o Brasil caminha no rumo de se tornar uma Venezuela. Comparando os dois países, na Venezuela e no Brasil a radicalização de diferentes divisões políticas complica o consenso necessário à boa governança.

Outra comparação é o processo de desindustrialização nos dois países. As indústrias perdem competitividade, vendem menos, dispensam empregados. A Venezuela tem que se sustentar na exportação da sua maior riqueza: o petróleo. O Brasil tem que se sustentar na exportação de produtos primários, como soja e minério de ferro. Não há dúvida: os dois países vivem quadros críticos de instabilidade.

A Venezuela tem um regime autoritário, estabelecido por um presidente militar e continuado por um presidente civil, sob um caos desumano. O Brasil tem um regime democrático imperfeito e um presidente civil, sob um caos menos dramático.

Duas possibilidades podem acontecer. A Venezuela encerra sua ditadura e passa a ser governada "democraticamente" por uma elite corrupta (como o Brasil, hoje), amenizando as hostilidades e o caos. E o Brasil elege presidentes radicais (como a Venezuela, hoje), aprofundando os conflitos e o caos. Pior para os brasileiros. O Brasil tem 59 mil mortes por assassinato por ano e 13 milhões de trabalhadores perambulam em busca de emprego. Mas o Brasil, ante a Venezuela, tem muito a perder.

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