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sábado, 29 de julho de 2017

Crédito cooperativo

por Reginaldo Villazón

Nesta semana – dias 23 a 26 – foi realizada em Viena (Áustria) a Conferência Mundial de Crédito Cooperativo de 2017. O evento reuniu 1.800 líderes, representantes e colaboradores vindos de 55 países. O Brasil fez bonito, participou com 176 pessoas, só perdeu para os Estados Unidos. Foram tratados assuntos essenciais, como utilização de dados informatizados, qualificação de gestores, atendimento personalizado a associados e tendência de fusão das instituições menores.

O World Council of Credit Unions – sediado nos Estado Unidos, representante das instituições de crédito cooperativo em nível mundial e promotor da Conferência – divulgou os números que envolvem este segmento cooperativo no mundo: 105 países; 57.000 instituições; 1,8 trilhões de dólares em ativos financeiros; 217 milhões de associados. Outro dado chama a atenção sobre o crescimento dos bancos cooperativos. Hoje, entre os 50 maiores bancos do mundo, cinco são bancos cooperativos.

Pessoas que desconhecem a história, as características e o desempenho do cooperativismo acreditam que o caminho ideal – que deve ser adotado como único no mundo – é o capitalismo. Na prática, cooperativismo e capitalismo coexistem – fortes e sem atritos – em diversas economias, como Estados Unidos, China, Índia, França, Suécia e outras. Embora diferentes, ambos podem atingir níveis excelentes de produtividade e qualidade, quando praticados com responsabilidade.

É compreensível que as cooperativas sejam bem entendidas como associações ou empreendimentos coletivos – geridos democraticamente – com atividades econômicas e sociais das mais diversas. Assim, não é de estranhar que a maior parte do azeite de oliva espanhol, do queijo parmesão italiano e do champanhe francês seja produzida por cooperativas. Que a maior parte dos agricultores da China, da França e dos Estados unidos seja associada a cooperativas.

Voltando ao crédito cooperativo, ele é encontrado como "cooperativas de crédito", que prestam serviços e crédito somente aos seus cooperados. E como "bancos cooperativos", que prestam serviços e crédito também a não cooperados; e ainda podem ter ações negociadas em bolsas de valores. Na Alemanha, em 2016, os dois bancos centrais cooperativos se uniram para formar um só banco central cooperativo – o gigante DZ Bank –, que abrigou toda a rede de 1.000 bancos cooperativos.

No Brasil, a primeira cooperativa de crédito foi criada por iniciativa do padre suíço Theodor Amstad, no Rio Grande do Sul, em 1902. Hoje o país tem 1.100 instituições, divididas entre Sistemas de Crédito Cooperativo, com o total de 8 milhões de associados. Os quatro maiores Sistemas – Sicredi, Unicredi, Sicoob e Confesol –, com o total de R$ 126 bilhões em ativos, ocupam o sexto lugar como maior banco do país. Vai mesmo haver fusões. E a expansão vai continuar forte.

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