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sábado, 22 de abril de 2017

Rumo ao sonho


Reginaldo Villazón

O filósofo, sociólogo e revolucionário Karl Marx (1818 – 1883) conheceu de perto as agruras socioeconômicas causadas pela expansão do capitalismo. Ele concentrou suas preocupações nas desigualdades geradas pelo acesso de uns (os burgueses) e impedimento de outros (os proletários) aos recursos capitalistas (fábricas, redes comerciais, transportes, bancos). A posse dos bens de produção fez os burgueses (patrões) se tornarem opressores dos proletários (empregados).

O surgimento das duas classes sociais – burguesia e proletariado – numa época de grandes anseios capitalistas, muita oferta de mão de obra e escassa regulamentação trabalhista, posicionou a classe forte dos burgueses sobre a classe fraca dos proletários. Elas assumiram identidades específicas e passaram a se opor. O sonho de Karl Marx foi desejar uma sociedade futura sem classes sociais, onde todas as pessoas pudessem produzir e consumir em completa harmonia.

O jurista, sociólogo e economista Max Weber (1864 – 1920) ampliou os estudos sobre segmentação social. Para ele, a sociedade não se limitava em se dividir em classes sociais por motivos econômicos (como patrimônio e renda). Ela se estratificava em grupos sociais por motivos étnicos, religiosos, profissionais e outros. Esses grupos se definiam pela sua natureza, pelo seu status e pelo seu poder de influência na sociedade. A mobilidade social neles era uma questão relevante.

Diversos sociólogos tentaram atualizar os estudos de segmentação social, agora na chamada sociedade pós-industrial ou pós-moderna. Eles identificaram diferentes grupos sociais que ocupavam posições passíveis de serem localizadas. Por exemplos: capitalistas, profissionais de alto nível, especialistas, pequenos empregadores, trabalhadores qualificados, trabalhadores não qualificados. De modo geral, esses grupos foram estudados do ponto de vista de Max Weber.

Pode-se perceber que, organizar hoje um quadro de estratificação social sem imperfeições, é uma tarefa difícil. Pode-se com facilidade, por exemplo, montar diferentes estratificações sociais (por renda, por idade, por escolaridade) com a finalidade de estudar o consumo da população. As classes sociais nitidamente separadas (como antigamente), hoje não existem para isolar empregadores, autônomos e empregados. E as lutas de classes perderam a força que tinham antes.

Hoje nós agimos mais por conta das nossas próprias escolhas e menos por submissão ao grupo a que pertencemos. Nós é que fazemos o grupo agir de acordo com nossas escolhas. Nós sabemos que a sociedade globalizada nos oferece muitas oportunidades de realização. Nós temos mais consciência de que todos são responsáveis pelo bem estar de todos. O sonho do mundo sem divisões sociais não chegou. Mas nós já começamos a buscar o nosso sucesso integrado a todos na sociedade.

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