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sábado, 29 de abril de 2017

Revoluções

Reginaldo Villazón

Quando o astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico publicou o livro "Sobre a Revolução dos Orbes Celestes", em 1543, defendendo a teoria do Sol no centro do universo, a palavra "revolução" designava o movimento circular, uniforme e eterno dos corpos celestes. Mais tarde, no caso da Revolução Inglesa de 1688, os historiadores informam que a palavra "revolução" foi usada para designar um período de perturbações seguido da restauração da ordem política e social.

 
Dois acontecimentos marcantes – a Revolução Industrial (1760-1840) e a Revolução Francesa (1789-1799) – evidenciaram que a palavra "revolução" assumia nova concepção. Revolução passou a significar um abalo na estrutura existente (política, social, econômica, tecnológica), causando ruptura com a realidade anterior e produzindo nova realidade. A Revolução Industrial modificou o trabalho, a manufatura, a economia. A Revolução Francesa trocou a monarquia pela república.

É fácil perceber a diferença entre "golpe" e "revolução". Um golpe perpetrado por políticos ou militares, sem ou com enfrentamento armado, significa apenas uma troca de detentores do poder. Foi o que aconteceu no Brasil: o Golpe Militar de 1964. Já a Revolução Cubana (1953-1959), liderada pelos guerrilheiros Fidel Castro e Che Guevara contra o ditador militar Fulgêncio Batista, foi mesmo uma revolução. O capitalismo foi extinto com a instalação do socialismo em Cuba.

Hoje, no Brasil, nós nos assustamos com os valores bilionários de dinheiro do povo afanado pelos corruptos (políticos, empresários, executivos públicos e privados). De outro lado, nós nos desalentamos com as obras de infraestrutura mal conservadas, paralisadas ou sequer iniciadas. Ficamos a cismar. Será que a crise atual (política, econômica, institucional e moral) é uma perturbação inconseqüente? Ou, melhor, sairemos dela transformados, fortalecidos para realizar grandes avanços?

De 1959 a 1975, o Vietnã do Norte (comunista) e Vietnã do Sul (capitalista) travaram uma guerra cruel. Bombas, artefatos incendiários e agentes químicos deixaram extensa devastação, milhões de mortos e feridos. O pós-guerra foi difícil. Hoje, o Vietnã está reunificado, mistura socialismo com capitalismo, seus índices econômicos, sociais e educacionais crescem. O país é um novo Tigre Asiático. Deve tornar-se uma forte economia mundial nas próximas décadas.

Muitos infortúnios podem não nos trazer transformações, como desejamos. Porém, mesmo do caos e da destruição, quando tudo parece perdido, é possível emergir um tempo novo de paz e prosperidade. As causas centrais da atual crise brasileira são a corrupção e a obsolescência das instituições. O Brasil (oitava economia do mundo) só vai superar a crise com novas posturas e soluções. O tempo é de transição; exige mudanças. O Brasil já está dentro de um período de revolução.

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