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sábado, 18 de março de 2017

Por amor

Reginaldo Villazón

 
Desde o ano 1.500, quando os navegantes portugueses chegaram ao Brasil em busca de riquezas, nossas florestas serviram para fornecer caça e madeiras nobres. O advento da agropecuária – em especial cana-de-açúcar e gado –, motivou a derrubada de florestas em nome do progresso. Elas pareciam infinitas. No Século 20, o aumento da população brasileira contribuiu para maior destruição de florestas. Era preciso mais madeira e mais terras desbravadas para urbanização, infraestrutura e agropecuária.

 
A Mata Atlântica – a rica mata localizada na costa brasileira, formada durante milhares de anos – foi reduzida a menos de 10 por cento da área original. A Floresta Amazônica – a floresta tropical de maior biodiversidade do planeta – ainda sofre sistemática redução. Autoridades ambientais afirmam que a mentalidade predatória em relação às florestas é a mesma no Brasil desde a época da colonização. Os brasileiros avaliam as florestas em metros cúbicos de madeira e metros quadrados de terra.

Como será possível cessar o desmatamento das florestas brasileiras? Recompor as florestas nativas onde elas são necessárias? Formar florestas que permitam o manejo e a extração de madeiras diversificadas? Recuperar terras desgastadas para uso em agropecuária sustentada? A aprovação de leis – que obriguem os brasileiros a adotarem novas regras – não é a resposta certa. Leis não vão resolver. Antes, é imperativo que aconteça uma mudança de mentalidade dos brasileiros em relação às florestas.

O que muitos brasileiros não sabem, porque não foram instruídos a respeito, é que as florestas não são apenas ambientes naturais onde vivem plantas e bichos. Pensar assim é pensar do jeito dos colonizadores. Hoje a ciência tem muitas novidades sobre as florestas. Por exemplo. As florestas abrigam milhares de espécies de fungos essenciais à nutrição e à saúde das plantas e dos animais. A destruição das florestas e dos fungos pode provocar desequilíbrios biológicos prejudiciais à vida no planeta.

No Canadá (onde ambientalistas e madeireiros costumam se enfrentar) um passo importante foi dado rumo à preservação produtiva de uma floresta do tamanho de duas Alemanhas. O Acordo da Floresta Boreal Canadense, celebrado em 2010, reuniu o governo, empresas madeireiras, organizações ambientalistas e povos indígenas. Áreas especiais ficarão intocadas e outras serão exploradas de forma sustentada. O objetivo é, ao mesmo tempo, manter a floresta preservada e produzir madeira.

Na visão dos educadores, o povo brasileiro costuma criticar o desmatamento em discussões superficiais e não assume boas atitudes por lhe faltar conscientização ambiental adquirida a partir do ensino básico. Isto é fato. Mas é preciso ir mais longe. Além de ter mais conhecimentos e dar mais importância às florestas, os brasileiros devem aprender a amar as florestas. Quando nossas cidades tiverem árvores e matas urbanas bem cuidadas, nosso povo vai sentir no peito o erro da destruição.

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