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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Suécia

Reginaldo Villazón
 
A grande democracia capitalista – os Estados Unidos da América – teve seus tempos de glória, tal como durante o acelerado desenvolvimento no pós-guerra (1945 a 1970). Mas as altas dos preços do petróleo disseminaram prejuízos e levaram os Estados Unidos a se envolverem em guerras caras no Oriente Médio. Depois, a crise bancária de 2008, a evolução dos déficits comerciais e o crescimento da dívida pública – em conjunto com outros eventos – tiraram o país da condição de modelo de desenvolvimento.

A recente campanha eleitoral (carregada de baixarias) e a eleição presidencial de Donald Trump (conservador, nacionalista e populista) colocaram os Estados Unidos no mesmo nível cívico de pequenas repúblicas subdesenvolvidas. Por causa dos acontecimentos indesejados, rotineiros na nação norte-americana, os olhos de muitos observadores se voltam para a Suécia, como modelo de desenvolvimento possível de ser legitimado. Mas acabam fazendo referências divergentes sobre o modelo sueco.

A modernização da Suécia teve início em 1866 com fim do Parlamento de classes (nobreza, clero, burguesia e campesinato) e início do Parlamento de representantes políticos. O crescimento industrial (ferro, aço, papel, têxteis e produtos químicos), a abertura econômica e a neutralidade nas duas grandes guerras (1914-1918 e 1939-1945) ajudaram o país a desfrutar longo período de desenvolvimento. O Partido Trabalhista Social Democrata, fundado em 1889, teve presença crescente no governo.

A política sueca superou dificuldades e conflitos sem perder a estabilidade. Os partidos políticos souberam dar valor às medidas reformistas e dar prioridade às propostas apoiadas pelas maiorias. Os resultados foram excelentes. O chamado "modelo de desenvolvimento sueco" tomou corpo entre o início da década de 1930 ao começo da década de 1970. Os políticos sociais democratas foram hábeis em atender os anseios da população por segurança e bem estar, à custa de uma carga tributária bem elevada.

Nas décadas de 1970 e 1980, o modelo de desenvolvimento sueco mostrou desgastes diante de mudanças políticas, sociais, econômicas e tecnológicas, no país e no mundo. Uma reaproximação ao capitalismo mostrou benefícios ao desenvolvimento econômico, mas as desigualdades de renda cresceram e favorecem tensões sociais. A Suécia continua sendo um país altamente desenvolvido, bem colocado em justiça social e qualidade de vida. Prossegue experimentando e calibrando suas políticas públicas.

Os pontos de vista ideológicos ignoram a educação e a cultura como forças atuantes no desenvolvimento. Educação e cultura reúnem recursos intelectuais, espirituais e emocionais; abrangem modos de vida, comportamentos, memórias, valores. Nisso os suecos oferecem bons exemplos de excelência ao mundo. Mostram que caminho é investir na educação e reforçar as características culturais que identificam e agregam o povo. Alertam que um povo não pode se deixar levar por alienações difundidas nos meios de comunicação globais.

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