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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Capas

Adelvair David  www.addavid.blogspot.com

Consta que o cego Bartimeu lançando de si a capa, foi ter com Jesus.

O homem deseja melhorias em todos os sentidos para a sua vida, mas pouco faz para que elas se transformem em realidade e, além da alma viciosa, fruto das experiências negativas desta ou de outras vidas é motivado pelo orgulho a permanecer na sua zona de conforto.

Esconde-se atrás da capa da superioridade ou da inferioridade e raramente se mostra tal qual é. Este desvio psicológico em muitos casos, próprio da falta de aceitação, faz da sua vida uma experiência artificial, impossibilitando a plenificação interior, a única que traz felicidade. Encharca-se de sensações sendo cruel, age sem controle no sexo, no álcool, na comida, no consumismo, na mentira e na ociosidade sem lograr êxito na paz que deseja.

Ao acreditar-se superior aos outros o homem mantem o sentimento de fortaleza até que a chegada de um problema para o qual não se encontra preparado, fato corriqueiro na vida de qualquer criatura, uma doença, um revés financeiro, um problema moral, o faça desabar e perder completamente o controle sobre a sua vida, não raro, recorre à fuga espetacular da desencarnação precoce pelas vias do suicídio. Outras vezes, desgostando de si mesmo, acreditando-se sem valor algum, coloca-se na posição de vítima diante do menor desafio, podendo transferir o controle da sua vida para que alguém assuma e faça por ele o que lhe cabe fazer, piorando o quadro íntimo de auto depreciação.

Tanto a capa da superioridade quanto a da inferioridade precisam ser lançadas fora para que se caminhe na direção da vida como se é, e não como queira aparentar ser. Ao desconhecer-se, o homem tende a querer esconder suas fraquezas até de si mesmo e, não se melhorando, surpreende-se com suas próprias reações negativas nos momentos de enfrentamento.

Importante perguntar-se periodicamente: "Sob qual capa estou me escondendo", pois, a ilusão fatalmente leva o homem para um encontro muito desconfortável, a desilusão, que fatalmente acontecerá.

Ensinam os espíritos venerandos que Deus não aceita um esboço de virtude mas sim a virtude de fato. A vida, com suas experiências, impulsiona-o a adquirir a qualidade que apenas aparenta ter.

QUEM SE PRENDE NO QUE NÃO É, AO FINAL DE ALGUM TEMPO DESCOBRE QUE AGARROU APENAS SOMBRAS.

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