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sábado, 14 de janeiro de 2017

Empreender

Reginaldo Villazón

Os japoneses Akio Morita (aos 23 anos) e Masaru Ibuka (aos 36 anos) se conheceram em Tókio durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Akio Morita, formado em física, era tenente do Centro de Pesquisa Naval Japonês e Masaru Ibuka era engenheiro-chefe da Companhia de Instrumentos de Precisão do Japão. Após a guerra, eles abandonaram suas carreiras e abriram uma oficina de produtos eletrônicos num armazém bombardeado. Lá nasceu a empresa global Sony Corporation of America.

O paquistanês Shahid Khan nasceu filho de uma professora. Em 1968, aos 16 anos, mudou-se para os Estados Unidos com 500 dólares no bolso para estudar numa Universidade. Nos primeiros tempos, além de estudar, teve que lavar pratos e dormir num alojamento barato para se manter. Formou-se engenheiro mecânico. De operário passou a industrial no ramo de autopeças e dono de equipes de futebol nos Estados Unidos e na Inglaterra. Hoje seu patrimônio está entre os maiores do mundo.

A brasileira Zica de Assis, natural de um bairro humilde do Rio de Janeiro, começou a trabalhar aos 9 anos. Foi babá e faxineira. Aos 21 anos fez um curso de cabeleireira numa paróquia e criou cosméticos capilares para uso próprio. Seus cabelos crespos ficaram vistosos e maleáveis. Fizeram sucesso. Em 1993 – com R$ 4.200,00 em sociedade com o marido, um irmão e uma amiga – fundou o Instituto Beleza Natural. Em 2015, sua rede de salões de beleza e lojas faturou R$ 250 milhões.

Histórias de sucesso – de empreendedores que partiram do quase nada – existem em todo o mundo. Muitos, que não ficaram ricos, alcançaram a estabilidade desejada. No Brasil, as pesquisas revelam dados importantes. Antes, os brasileiros abriam negócios próprios por falta de emprego. Hoje, cerca de 70% o fazem motivados por oportunidade, não por necessidade. Antes, os empreendimentos tinham baixas taxas de sobrevivência. Hoje, mais de 50% deles superam as dificuldades e seguem em frente.

Não é honesto dizer que os empregos estão desaparecendo da economia e que os candidatos a eles devam se atirar no empreendedorismo para não morrer de fome. É verdade que atualmente não há vagas de trabalho para todos que precisam. Mas isto está ocorrendo pela incapacidade dos políticos medíocres e pela ganância dos capitalistas mesquinhos. A intensa concentração de renda inibe os fluxos de dinheiro, produtos e serviços, o que prejudica o desenvolvimento e gera exclusão sócio-econômica.

Ademais, há um fato relevante. Já não é tão diferente optar por emprego ou atividade própria. As duas opções exigem qualificação, dedicação, criatividade. Realizar uma boa carreira profissional – como contratado ou autônomo – torna-se muito parecido. Muitas pessoas fazem questão de ter um emprego e, ao mesmo tempo, um empreendimento próprio. Observando bem, por entre as dificuldades, não há motivos para grandes apreensões. É preciso avistar as oportunidades e se preparar para elas.

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