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sábado, 24 de dezembro de 2016

Expectativas

Reginaldo Villazón

Trata-se de pura verdade afirmar que a humanidade percorre uma trajetória ascendente, no sentido do pior para o melhor. Mas muitas vezes temos a impressão contrária. Os horrores da Segunda Guerra Mundial fizeram de 1939/1945 um período de caos. Milhões de pessoas foram mortas nos combates e nos campos de concentração. Além dos bombardeios aéreos tradicionais, duas bombas atômicas foram detonadas sobre cidades, causando destruição, contaminação, mortes, ferimentos e doenças.

De fato, a trajetória humana não é uma linha reta que se eleva regularmente, sem variações. Altos e baixos desenham formas imprevisíveis. Assim foi no século 20. Houve guerras, revoluções, assassinatos, perturbações políticas, crises econômicas. Porém, alternados com avanços políticos, sociais, econômicos e tecnológicos. Por fim, o século 20 se encerrou em 31 de dezembro de 2000 com larga margem de desenvolvimento em nível mundial, relativamente ao seu início em 01 de janeiro de 1901.

Conhecer e compreender como se desdobra a história humana, aparentemente, não traz vantagem alguma. Porque ela vai seguir o seu curso, produzindo acontecimentos bons e ruins com independência, sem preocupação com nossos desejos. Porém, se nós entendemos como a história humana se processa, podemos evitar muitos enganos. Agir sempre da mesma forma – otimismo, pessimismo ou passividade – é cometer riscos perigosos. Correto será pesar sempre os fatos para tomar atitudes acertadas.

Este ano de 2016 está chegando ao final. Foi um tempo de notícias, fatos e previsões de péssima qualidade. O mundo se agitou com guerras, dramas de refugiados, atentados terroristas, tensões nucleares, radicalismos políticos e divergências econômicas. No Brasil, a crise econômica, o endividamento público, as rixas políticas, a corrupção, o desemprego e os surtos de doenças causaram sofrimento e indignação. Hoje, ninguém sabe ao certo qual será a realidade brasileira no futuro próximo.

Será inútil colocar novas esperanças nos políticos e nas instituições oficiais, antes que grandes mudanças sejam realizadas. Os discursos, regras e ações dos governantes não podem perseverar. Por isto, há apreensão geral no país. Os jovens precisam se preparar e encontrar boas oportunidades no mercado de trabalho. Os mais velhos precisam se aposentar sob condições dignas de vida. Mas o cenário político e institucional é de entristecer. Muitos brasileiros podem presumir que esse túnel escuro não terá fim.

Porém, alto lá! Observadores estrangeiros afirmam que o Brasil vai superar o desespero. Eles elogiam a execução da Operação Lava Jato, a prisão dos corruptos e a decadência dos políticos ruins. Eles asseguram que o país possui empresários, executivos e trabalhadores hábeis para competir no mercado global. Por fim, dizem que o Brasil é um mar de oportunidades de investimentos. Pois bem. Estes posicionamentos reforçam as expectativas de que a tempestade vai passar e virão outros tempos melhores.

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