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sábado, 5 de novembro de 2016

Talentos latentes

Junji Abe

Um século é o tempo que o Brasil levará para equiparar a condição salarial de homens e mulheres. O País exibe uma das maiores diferenças de remuneração entre gêneros do planeta. A projeção consta do Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016 do Fórum Econômico Mundial.

Dos 144 países avaliados, o Brasil fica na 129ª posição, no quesito de igualdade de salários entre gêneros. O País está pior que nações repudiadas por violações aos direitos das mulheres, como Irã, Iêmen e Arábia Saudita. No panorama geral, incluindo política, educação e outros aspectos sociais, quebrar a diferença entre gêneros é uma missão para 104 anos.

Em que pese a desastrosa gestão de Dilma Rousseff, pelo fato de uma mulher ter sido presidente da República, o Brasil subiu no ranking geral, do 85º lugar para a 79ª posição. Porém, a classificação ainda é pior do que há 10 anos, quando o País ocupava a 67ª posição. As sociedades mais igualitárias são as escandinavas.

A disparidade econômica entre homens e mulheres é um dos fatores que mais impede o avanço nacional no ranking. Nesse aspecto, o Brasil é superado por China, Camboja, Chade e até o Paraguai, entre outros. O salário médio de uma brasileira com nível superior equivale a 62% da renda mensal de homens com a mesma escolaridade. Para completar, a presença de brasileiras no mercado de trabalho corresponde a 62%, enquanto a dos homens atinge 83%. Na política, a representatividade feminina é ínfima. O Congresso Nacional ocupa o 120º lugar entre os países com melhor representação feminina.

 
A reversão do quadro passa pela adoção de estratégias pragmáticas que promovam a inclusão das mulheres no mercado de trabalho bem remunerado e na política. Já existem mais mulheres do que homens se graduando nas universidades. Discriminá-las é um desperdício brutal de talento. E prejuízo direto para a Nação.

A efetiva inclusão das mulheres no mercado de trabalho, com remuneração compatível, passa também pela oferta de educação infantil de qualidade e em número suficiente. Como a mãe vai trabalhar se não consegue vaga em creche para o filho? Em Mogi das Cruzes, o atendimento em creches já supera mais da metade da população infantil com até 3 anos. No País, o benefício não chega a 30% da demanda.

Ao mesmo tempo, é vital combater a cultura machista. A paridade de gêneros é o caminho natural da evolução. O que precisamos fazer é acelerar esse processo. Educação e religiosidade são fundamentais na construção da ponte no abismo das diferenças. Os avanços conquistados até hoje são resultado da persistência e do trabalho das mulheres brasileiras. Só confirmam o que já disse sobre a necessidade de combater o desperdício de talentos tão latentes na população feminina.

*Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

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