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sábado, 19 de novembro de 2016

Novos hábitos

Reginaldo Villazón

A principal finalidade da alimentação, desde os tempos antigos, é "comer para viver". Matar a fome, suprir as necessidades alimentares do corpo, é tarefa obrigatória para toda pessoa se manter ativa. Além disso, historicamente, a alimentação é um forte componente da cultura dos povos. É fácil entender, por exemplo, que os árabes se identificam – não só por seus traços étnicos, suas roupas, suas artes, seu idioma – mas também por sua alimentação. O que se come e como se come, faz diferença entre os povos.

A globalização – difusora do que é bom e do que é ruim – contribuiu para a expansão da alimentação rápida (fast-food). Hambúrgueres, cachorros-quentes, pizzas, batatas fritas, empanados, recheados e outros (carregados de carboidratos, gorduras, sal e açúcar) acabaram tomando o lugar das refeições. E estimularam o aumento do consumo dos refrigerantes adoçados. Mais recentemente, a gastronomia ganhou espaço no mundo com o objetivo exclusivo de harmonizar texturas e sabores dos alimentos.

O consumismo induziu a sociedade a "viver para comer". O consumo inadequado desses alimentos por pessoas urbanas (presas a atividades leves e ao sedentarismo) passou a produzir uma grande onda de obesos e doentes crônicos. Hoje, estatísticas médicas apontam o aumento do risco de acidentes cardiovasculares, hipertensão, diabetes, disfunções biliares e alguns tipos de câncer como resultado de hábitos alimentares errados. Esta situação adversa tem despertado uma reação de grande amplitude.


De início, existe a preocupação com a sustentabilidade ambiental em nível planetário. A produção de alimentos não pode (pois não precisa) causar desmatamento, poluição e contaminações. Milhares de espécies vegetais nativas ainda não são aproveitadas como alimentos. O desperdício de alimentos deve ser minimizado. Os alimentos naturais, orgânicos e funcionais (que nutrem e beneficiam a saúde) devem ser preferidos. O mercado mundial destes alimentos já alcança mais de 30 bilhões de dólares por ano.

Embora o ser humano coma carne desde as suas origens, o tabu de que hoje precise comer carne já foi derrubado. A alimentação vegetariana variada, tal como agora é possível, hoje faz muita gente viver por mais tempo, tendo o coração mais saudável, as artérias mais limpas, o odor corporal mais agradável e o humor mais inspirado. O sentimento de solidariedade com os animais, que sofrem nos confinamentos e nos abates, ganha respaldo científico. Os animais são, sim, providos de inteligência e sentimentos.

O Brasil não está no mesmo nível dos Estados Unidos, China, Japão e países europeus. Mas cresce rápido na produção e no consumo de alimentos orgânicos. Diversos participantes do setor se articulam e constróem uma economia alimentar de alta qualidade. Aqui, servir comida orgânica em restaurante não é mais moda. Pesquisa IBOPE de 2010 já mostrava que 68% dos brasileiros preferiam comer alimentos orgânicos. Nada mal para um país que está no grupo de emergentes em alimentos saudáveis.

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