Páginas

sábado, 10 de setembro de 2016

Trabalho

Reginaldo Villazón

A agricultura primitiva evoluiu para a moderna – com mais força nos séculos XIII, XIX e XX –, promovendo excelentes ganhos de produção de alimentos e matérias-primas. Por volta do mesmo período, aconteceu a era industrial repleta de progresso econômico e social. Mas a sociedade humana não colheu os benefícios em tempos de paz. No campo, a luta pela posse e pelo uso da terra fez mortos e feridos. Nas cidades, a luta de classes conflitou trabalhadores, empresários, pensadores e políticos.

Estamos em 2016. Nós aprendemos a dar valor ao trabalho, mas ainda não nos livramos de males do passado, como o desemprego, que tira dos trabalhadores o direito de se sustentarem e seus familiares por meio da sua contribuição profissional à sociedade. No Brasil, a taxa de desemprego está em 11,6% (atingindo 11,8 milhões de trabalhadores). Na França 9,9%, em Portugal 10,8%, na Itália 11,4%, na Espanha 20,0%, na Grécia 23,4%, na África do Sul 26,6%. São taxas muito altas.

Nesses países não há emprego para esses contingentes de trabalhadores e os governantes se revelam incapazes de gerar as vagas necessárias. O que isso significa? Será que nesses países não existem mais trabalhos a serem realizados? Será que nesses países as pessoas já estão sendo supridas de tudo o que precisam? Nada disso! Em todos os continentes faltam casas, roupas, alimentos, água. Os governos (inclusive o brasileiro) sequer possuem funcionários suficientes para cuidar do meio ambiente.

Especialistas dizem que o desemprego tem causas estruturais, quando novas tecnologias dispensam uso de mão-de-obra. E que tem causas conjunturais, quando crises econômicas diminuem o consumo e, por isso, fazem diminuir a produção. Eles explicam que a situação ideal de pleno emprego (quando todos os trabalhadores estão empregados) só pode acontecer quando a economia está em perfeito equilíbrio. Tudo isso deixa bem claro que o desemprego não tem nada a ver com falta de trabalho.

O desemprego – assim como a desigualdade econômica e a exclusão social – não é uma situação obrigatória na evolução das sociedades. A idéia de que "é preciso esperar o bolo crescer para depois dividir" é pura mentira. O desemprego tem origem no interesse dos ricos e dos políticos em manterem seus privilégios. Quem acredita, por exemplo, que os banqueiros do mundo estão preocupados com o desemprego, a miséria e a migração de refugiados? Os povos precisam agir politicamente e buscar soluções próprias.

Um bom exemplo. Esta semana, boas notícias do Festival Cultura e Gastronomia (19ª

. edição) realizado de 26/agosto a 04/setembro na pequena cidade história de Tiradentes MG. Nos 10 dias, por lá passaram 45 mil pessoas. Houve 200 eventos gastronômicos e 80 culturais, volvendo profissionais, o SESC e o SENAC. Foram coletadas 13,5 toneladas de materiais para reciclagem. Uma forma inteligente de fortalecer a economia local, estimular a abertura de empreendimentos, gerar trabalho e renda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário