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sábado, 17 de setembro de 2016

Caminhos

Reginaldo Villazón

Religiões ensinam que Deus é único, imaterial, perfeito, todo-poderoso, criador do universo e tudo o que há nele. Recomendam às criaturas amá-lo, respeitá-lo e cumprir suas vontades. Além disso, o uso da advertência de que Deus está em toda parte – observando e julgando as criaturas por seus comportamentos – ajudou a manter a ordem social nos tempos menos civilizados. Porém, a evolução do pensamento humano fez surgir dúvidas e discussões sinceras sobre Deus, dentro e fora das religiões.

Muitos porquês – por exemplo, sobre a contradição entre o Criador perfeito e este mundo terreno imperfeito (marcado por tragédias e sofrimentos) – nunca foram respondidos de modo a satisfazer as expectativas. Assim, as indagações sobre Deus se somaram a estas – "Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?" –, que já faziam parte das angústias existenciais humanas. Prevaleceu a frase atribuída a Sócrates (469 a.C. – 399 a.C.) – "Só sei que nada sei" –, que reconhece a fragilidade do saber humano.

Hoje, as dificuldades de compreender – e aceitar Deus – obrigam muitas pessoas a encontrarem outras referências para enfrentar a vida com responsabilidade. No Novo Testamento da Bíblia, estão bem claras as afirmações: "A fé sem obras é morta" e "Deus retribuirá a cada um segundo suas obras". Elas indicam que toda fé tem legitimidade com boas obras. Desse modo, por exemplo, os ativistas sociais estão corretos quando buscam sustentar boas ações comunitárias diretamente na Consciência das pessoas.

Mas, o que vem causando preocupação é o ateísmo. Em 2006, o jornal britânico Financial Times detectou altas taxas de ateísmo em cinco países europeus: França (32%), Alemanha (20%), Reino Unido (17%), Espanha (11%) e Itália (7%). Mais recente, pesquisa Gallup International mostrou que em 6 anos (2005 a 2011) a taxa de ateus em 57 países subiu de 3% para 13%. No Brasil, em 2015, pesquisa PUC-RS sobre jovens brasileiros solteiros de 18 a 34 anos revelou que 19,3% eram ateus.

Se um homem compra um barco e ignora evidências importantes sobre o assunto, poderá desprezar colete salva-vidas, bote inflável de emergência, sistema de comunicação marítimo, instrumentos de aviso de tempestades e previsões meteorológicas. Assim, ele se expõe ao fracasso. Pois este é o problema dos ateus. Eles se expõem ao fracasso quando ignoram evidências importantes sobre realidades hoje estudadas pela ciência, como a vida após a vida, o universo tridimensional, o universo imaterial e suas interações.

Voltando ao ateniense Sócrates: "A alma do homem é a sua Consciência". É assim – como partículas conscientes – que devemos assumir nossas responsabilidades e desenvolver nossas potencialidades. Há muitos caminhos a escolher. Há religiões, filosofias, doutrinas, princípios e tradições que explicam o valor das virtudes e das boas ações, que fortalecem a fraternidade e a harmonia, que ensinam práticas de saúde e autoconhecimento. A diversidade é a riqueza universal que nivela as desigualdades.

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