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sábado, 27 de agosto de 2016

Desigualdade

Reginaldo Villazón

O desenvolvimento – mais do que uma aspiração – é uma necessidade humana. Desde que apareceu no planeta, a humanidade não pára de agir na busca do desenvolvimento. A espécie humana estaria hoje reduzida a grupos selvagens, ou estaria extinta, caso não tivesse respondido com o desenvolvimento à precariedade da vida inicial. Mas, longe de tratar apenas de questões materiais, o desenvolvimento tem implicações intelectuais, éticas e espirituais que afetam os comportamentos individuais e coletivos.

De forma simples, podemos observar muitos ganhos proporcionados pelo desenvolvimento. Em favor da saúde, do bem estar e da longevidade, a ciência hoje oferece produtos, técnicas e informações que produzem resultados notáveis. Em favor da segurança e do conforto, as empresas fornecem meios de transporte construídos com muita tecnologia e certificação. No Brasil – apesar dos pesares – a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016 trouxeram estímulos importantes aos esportes nacionais.

Sem dúvida, a humanidade já se desenvolveu muito. Porém, ainda existe no mundo um quadro geral de infortúnios que precisam ser superados. Crises econômicas, empresas endividadas, desemprego, pobreza, violência, injustiças, migrações descontroladas, agressões ambientais, descontentamento com as instituições, insatisfação com a política. Os cientistas sociais sabem que o desenvolvimento é a resposta a todos esses problemas. Por isto, procuram identificar os entraves ao desenvolvimento.

O fato que chama muita atenção deles – como grande obstáculo ao desenvolvimento – é a falta de igualdade social. Eles chegam a colocar a questão da igualdade no ponto central do desenvolvimento a ser mantido por longo período. Objetivamente: se não houver uma convergência de ações em favor da igualdade social, o desenvolvimento humano não se realiza e os graves problemas do mundo ficam sem solução. Primeiro é preciso visar a igualdade para depois visar o desenvolvimento.

No Brasil, um relatório do Ministério da Fazenda divulgou um estudo feito sobre 26,5 milhões de declarações do imposto de renda de 2014/2015. O grupo de pessoas que está no topo da lista, perfazendo apenas 0,10% do total, possui um volume de riqueza 6.450% superior à média dos declarantes. Além disso, existem 75 milhões de trabalhadores no país que não fazem declaração do imposto de renda porque possuem renda muito baixa. Os dados levantados mostram uma situação absurda.

Muita gente mal informada aceita como correta a informação de que o capitalismo tem a melhor lógica social e econômica, que tal lógica nada tem com as desigualdades. Mas a lógica capitalista tem como ponto central o dinheiro. As decisões capitalistas são tomadas em função do dinheiro. Pessoas, meio ambiente, desenvolvimento e demais questões ficam em planos secundários. No entanto, hoje, a prioridade não é mais a lógica capitalista, mas o desenvolvimento, a sobrevivência e a qualidade da vida humana no planeta.

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