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sábado, 23 de julho de 2016

Tratando a Família

Flávio Rodrigo Masson Carvalho
 
Por muito tempo a medicina e a psicoterapia preocupou somente com os indivíduos. Se alguns indivíduos apresentavam qualquer problema psíquico e procuravam ajuda, o medico ou o terapeuta procurava encontrar o paciente real, ou seja, aquele que apresentasse a patologia, se esquecendo ou ignorando por completo a família, como se aquele paciente real não mais pertencesse a uma família, ou como se ele não fosse mais retornar ao âmbito familiar. Se todos os membros de uma família precisassem de terapia, eles eram atendidos individualmente, cada um com um terapeuta particular, ou seja, eram desmembrados de suas famílias, era uma relação exclusivamente bipolar, terapeuta-paciente.
É necessário hoje em dia que toda a família participe do processo terapêutico. Os parentes devem participar de todo o processo, inclusive do diagnóstico, contribuindo assim para o sucesso do tratamento. Os familiares devem participar ostensivamente de todo o processo terapêutico, não como se estivessem recebendo ajuda, mas sim como colaboradores do médico no tratamento. Este modelo não é aceito pela maioria dos terapeutas, que defendem a idéia de que os parentes só atrapalham, que os parentes muitas vezes são neuróticos e problemáticos, e isto pode prejudicar o processo terapêutico. Pode até ser que em certo momento do tratamento se faça necessário se trabalhar somente com o indivíduo sozinho, mas de maneira alguma o médico ou terapeuta deverá se esquecer da família deste indivíduo. Este indivíduo está em família ou estará retornando a uma família ao termino do tratamento. Definitivamente a família deve participar de todo o processo, podendo assim melhor acolher e ajudar este indivíduo na sua recuperação. Vale a pena assinalar que muitas vezes a família está mais doente do que o indivíduo que está em tratamento. Isto é muito comum acontecer com as crianças, na maioria das vezes os problemas da criança são os pais. A criança na maioria das vezes não têm demanda, os problemas estão nos pais, na família, na escola, com os professores. Por isso toda a família deve ser convidada a se juntar ao processo terapêutico, a fazer parte ativamente do mesmo.
Muitos são os médicos ou terapeutas que preferem tratar apenas do indivíduo, pois consideram a estrutura familiar muito complexa, muito mais difícil de lidar, seria muito mais fácil tratar de apenas um indivíduo do que de muitos, seria mais fácil lidar com a transferência de apenas um indivíduo do que de vários. Mas se esquecem eles, que estes indivíduos possuem uma família, estão inseridos em uma ou estarão voltando para uma ao termino do tratamento. Faz-se necessário trabalhar com esta família para que a mesma saiba lidar com este indivíduo durante o tratamento, ou preparando a família para receber este indivíduo após o tratamento. Podemos citar como exemplo os alcoólatras, não são raros os casos daqueles que tentam parar ou conseguem parar de beber e que voltam a beber por puro descuido da família, que despreparadas acabam reintroduzindo o álcool novamente na vida destes indivíduos, seja no preparo de pratos culinários que levam bebida alcoólica no seu preparo, ou até mesmo em inocentes festas, comemorações onde servem bebidas alcoólicas aos convidados, ou mesmo bebendo perto destes indivíduos. Se toda a família não participar deste processo de recuperação de um alcoólatra ou droga-adicto será quase impossível ele conseguir este intento sozinho.
 

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