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sábado, 30 de julho de 2016

Educando o Educador

Flávio Rodrigo Masson Carvalho

Muito se tem discutido sobre a formação do educador, e muitos são os trabalhos apresentados sobre tal temática. Muitos são os cursos, seminários que discutem o tema. O que mais se tem tentado demonstrar e discutido, é a capacidade que possui o educador de pensar sobre seu papel, e não apenas executá-lo, automatamente.

Os estatutos, regimentos atuais possuem leis, regras a serem seguidas pelos educadores, onde apresentam as devidas competências que devem ser cumpridas. Como se isso bastasse para transformar o indivíduo num excelente educador. Mister se faz que as políticas educacionais sejam mudadas sobremaneira. O educador deve ter mais liberdade, e mais, muito mais deve ser investido na sua formação, principalmente no que tange ao suporte psicológico, um acompanhamento de seus problemas pessoais, feito por profissional dentro de um ambiente clínico individual.

Vários são os projetos e políticas apresentadas pelo governo para a formação do educador, mas nada melhor que treiná-lo a pensar por si só, ou seja, o próprio educador tem que ganhar a consciência de sua situação, e assim podendo melhor investir na sua formação. Este é outro aspecto que a contribuição da psicanálise poderá ser enorme, ou seja, ajudando o educador a tomar consciência de sua atual situação, e este trabalho é feito através de sessões de análises individuais ou em grupo.

Percebemos que a cada nova política educacional, a cada projeto apresentado, se instala o caos, não somente na classe, mas em toda sociedade, pois todos defendem que a solução de todos os problemas está na educação, o que potencializa ainda mais a problemática.

Mas ainda podemos constatar que o educador se encontra muito distante no que tange a sua atuação na contribuição para solucionar os problemas educacionais. Mister se faz que os educadores sejam mais agressivos, e que sejam mais ouvidos, pois são o que possuem melhores condições para contribuir na solução de problemas educacionais, e são os mesmos os envolvidos diretamente na temática.

O professor é um dos sujeitos do processo ensino-aprendizagem e, nesta relação, discute seu saber. E não é um projeto, programa ou política educacional que vai resolver definitivamente os problemas de aprendizagem, ou de ensino. A classe dos professores necessita ser mais unida e organizada. Se constata um enorme interesse da classe no que tange a política salarial, mas o mesmo não acontece quando se vai discutir possíveis soluções para a melhora da educação e de sua formação quanto docente.

O educador brasileiro precisa romper com alguns paradigmas, se libertar das amarras que ainda o prende a um passado, mister se faz que haja um resgate de sua autoestima, que ele compreenda e acredite na importância de seu papel perante a sociedade. Mister se faz que ele acredite que exerce o mais importante e fundamental papel dentro de uma sociedade, que é o de educar o indivíduo, e ainda se não bastasse ele tem que lidar com indivíduos com dificuldades de aprendizagem, inclusão etc.

Sou professor, mas sou também formador de opinião, detentor de conhecimento e ferramentas úteis e importantes no processo ensino-aprendizagem, mas devo respeitar também o ponto de vista do sujeito que aprende, e sou um deles também, mas quando ensino devo ter a consciência desta minha tarefa, e tenho que estar atento as minhas responsabilidades como educador, psicanalista e psicopedagogo. Se o educador tiver tal consciênciasua contribuição será enorme e linda, não somente no que tange a educação, mas para toda a sociedade em que vivemos.

"Educa-se hoje a razão sem educar o coração, originando pessoas intelectualmente adultas e sentimentalmente infantis, falsas e até agressivas" (Frei Betto) *Flávio Rodrigo Masson Carvalho


equilibriumtc@hotmail.com


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