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sábado, 2 de julho de 2016

Desintegração

Reginaldo Villazón

O mundo sofreu grandes transformações nas relações políticas e econômicas durante o século XX. A Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) envolveu cinco potências imperiais: o Império Britânico, o Império Russo, o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano. O conflito fez estes impérios se desmantelarem, promovendo independência e surgimento de nações. O Império Britânico, o maior da história, começou a se desfazer com os britânicos arruinados pelos combates.

A Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) envolveu países que se posicionaram em dois grupos oponentes. Os Países Aliados saíram vencedores e os Países do Eixo foram derrotados. Após a guerra, aconteceu o que muitos não esperavam. Formaram-se dois grandes blocos de países com ideologias divergentes: o bloco capitalista (liderado pelos Estados Unidos) e o bloco socialista (liderado pela União Soviética). A guerra ideológica pela supremacia mundial foi dura, sob o risco de confronto com bombas potentes.

A rivalidade desapareceu com a dissolução da União Soviética a partir de 1990. Os países do bloco socialista se desvencilharam e aderiram ao capitalismo. No mundo livre das desavenças ideológicas, todos os países passaram a ter interesse na formação de blocos econômicos com a finalidade de facilitar o comércio e desenvolver suas economias. O Mercosul se constituiu na América do Sul em 1991, o Nafta na América do Norte em 1994, o Asean no Sudeste Asiático em 1967. E outros.

A experiência melhor sucedida é a União Européia. Dela fazem parte países importantes, como Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Hungria, Itália, Holanda, Suécia e outros. O bloco tem sistema financeiro comum e moeda única. Os cidadãos e as mercadorias circulam livremente no bloco. Com todas essas vantagens, o povo do Reino Unido (formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) decidiu em recente plebiscito deixar a União Europeia.

Observando os fatos históricos aqui narrados, apreendemos que na sociedade humana operam forças contrárias, integradoras e desintegradoras. Hoje, o desligamento do Reino Unido pode estimular outros na União Europeia. Pode encorajar movimentos de separação em países e blocos econômicos. Cientistas sociais analisam aspectos nítidos de desintegração social, econômica, política e institucional no mundo. Suas reflexões indicam que é tempo de busca e aceitação de novos padrões de pensar e fazer.

No Brasil vemos de perto os efeitos ruins das forças desintegradoras: o desemprego de 11,4 milhões de trabalhadores, a morte de pacientes por falta de vagas no sistema de saúde. Fala-se muito contra os preconceitos e em favor da convivência entre os diferentes. Mas a união de políticos, administradores públicos, empresários, trabalhadores e outros grupos sociais, visando tirar o país da crise, isto não acontece. Parece mesmo que, sem saber, estamos esperando modelos mais eficientes de organização social.

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