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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Ansiedades

Reginaldo Villazón

É desagradável descobrir o sentimento de apreensão quanto ao futuro, quando conversamos com jovens que se preparam para entrada no mercado de trabalho. Eles são inteligentes. Sabem que neste mundo globalizado existe uma grande variedade de oportunidades de profissionalização. Sabem que é preciso investir tempo e esforço em qualificação. Mas percebem que a juventude passa rápido e a conquista do trabalho desejado demora a chegar. Para eles, que vivem o problema, isto é aflitivo.

No tempo em que a agricultura pouco mecanizada exigia muita participação humana e as empresas urbanas em expansão admitiam e qualificavam novos funcionários, era possível – em torno dos 20 anos – assegurar trabalho estável e sustento econômico. Hoje é considerado jovem quem está entre 15 a 24 anos, em fase de maturação biológica, psicológica e social. Assim, todos os que passaram dessa fase agora são adultos, mas podem estar subempregados ou ainda em preparação, vivendo com ajuda econômica dos pais.

Além do fato de muitas pessoas viverem sob expectativas, existe a importância do trabalho na vida humana. As pessoas formam sua identidade com o trabalho, com ele se integram à sociedade, com ele contribuem ao bem-estar coletivo. Mesmo que muita gente tente agir com muito egoísmo, é através do trabalho que o ser humano enfrenta desafios. É através do trabalho que elabora e faz circular produtos e serviços, realiza descobertas científicas e tecnológicas, melhora a sua vida e preserva sua dignidade.

O Brasil iniciou os anos 2.000 com 20% da população na faixa jovem de 15 a 24 anos, com a estimativa anual de 1,5 milhão de novos candidatos a emprego. Isto é preocupante. Porém, observamos que – em período anterior – a extinção de milhões de postos de trabalho pelas novas tecnologias e pelos ajustes econômicos neoliberais não produziram um caos permanente de desemprego. Além disso, a diminuição constante da taxa de natalidade já permite prever um futuro sem jovens desempregados.

Questões relativas ao trabalho – humanização, remuneração, desemprego, subemprego – hoje são debatidas em âmbito global. Medidas governamentais – como flexibilização das leis trabalhistas – nada resolvem. As análises apontam os vilões: as deficiências do sistema capitalista e os modelos superados de organização econômica. Mas que ninguém se engane. A situação dos trabalhadores é melhor hoje do que no passado. E será muito melhor no futuro. Não se trata de otimismo, mas de evolução.

Sem dúvida, hoje a juventude acaba mais tarde e a maturidade chega mais cedo. Parece que a juventude e a maturidade tendem a existir juntas por toda a vida. Nós vemos no rosto dos jovens as ansiedades, mas descobrimos neles as aspirações de acesso a trabalhos dignos e criativos, que permitem realização individual, convivência familiar, cooperação social. Eles não se importam de viver, pelo resto de suas vidas, como estudantes aplicados e trabalhadores eficientes. É assim que o futuro começa a se desenhar.

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