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sábado, 23 de julho de 2016

Além da matéria

Reginaldo Villazón

Em 1998 o ator norte-americano Robin Williams fez uma genial atuação no filme "Patch Adams" e isto lhe rendeu um importante prêmio no ano seguinte. O filme conta a história de um estudante de medicina que trata os pacientes com carinho, usando o humor como terapia, contrariando as normas de distanciamento profissional. O filme mostra os benefícios do humor na recuperação dos pacientes. Mas, de forma dramática, mostra a resistência do sistema médico em aceitar novas atitudes dos seus integrantes.

O filme é crítico porque se baseia na vida real do médico Hunter Doherty (hoje aos 71 anos), um humanista que passou por aquelas peripécias. Patch Adams, como é conhecido, é uma pessoa que não aceita ver o ser humano apenas como um ser biológico. Com razão. Há muito tempo o "efeito placebo" é uma indicação segura de que o ser humano tem outras dimensões além da matéria. Como poderiam – medicações, terapias e cirurgias (todas de mentirinha) – produzirem efeitos curativos comprovados pelos médicos?

Aos poucos, a rotina do sistema médico – de tratar os pacientes como matéria – está sendo quebrada. Hoje, hospitais investem na criação de ambientes alegres e promovem o tratamento afetivo aos pacientes. Conjuntos de música, grupos de palhaços e animais de estimação são bem vindos. Os pacientes conquistam sua condição complexa de matéria, mente, consciência, espírito e energia. Essa complexidade ainda está por ser investigada e compreendida. A natureza humana reserva muitas surpresas.

Não é de estranhar que em 1992 apenas 2% das escolas de medicina dos Estados Unidos ofereciam aos estudantes matérias sobre espiritualidade e em 2004 tenham subido para 67%. Em 2008, essas matérias foram incluídas no programa regular da maioria das escolas do país. As provas científicas sobre a intervenção da espiritualidade na cura de doenças se avolumam. No Brasil, pelo menos três escolas de medicina federais oferecem a matéria optativa Saúde e Espiritualidade. Pelo menos, três grandes hospitais fazem uso dela.

Pesquisas científicas comprovam alterações nos sistemas endócrino, neurológico e imunológico produzidas pelo estado psíquico dos pacientes. Condições clínicas de pacientes com doenças autoimunes, Aids e câncer melhoram com atitudes mentais positivas e altruístas. Há evidências médicas de que a espiritualidade tem ação no sistema cardiovascular. Ela atua no controle da pressão arterial, reduz o risco de infartos e derrames. Há motivos suficientes para a valorização da espiritualidade na saúde.

Os caminhos para a espiritualidade são livres a todos. Eles existem em diferentes países, culturas, religiões e filosofias. Isto porque a espiritualidade está ligada às situações mentais, às atitudes mentais e às ações pessoais. Evitar a depressão e buscar a paz interior, dissipar a raiva e cultivar a ternura, afrouxar a competição e ampliar a colaboração, são providências de espiritualidade. O valor das orações, meditações, mentalizações e práticas de autocura não pode ser negado. Hoje, só ignora estas verdades quem quer.

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