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sábado, 25 de junho de 2016

Clássico popular

Reginaldo Villazón

O violão é o instrumento musical de melhor aceitação do povo brasileiro. A facilidade de escolher, adquirir e utilizar o violão fez deste instrumento uma presença comum nos lares brasileiros. Em toda reunião festiva, o violão é bem-vindo para aumentar a animação. Temos até a impressão de que o violão foi nascido e criado no Brasil. Sem ele não existiria o samba, o chorinho, a bossa nova. Não haveria uma cultura musical rica de norte a sul do país, no campo e na cidade. Não teríamos excelentes violonistas.

Quem não se lembra das tradicionais marcas brasileiras de violões: Di Giorgio, Giannini e Del Vecchio? Elas tiveram que reduzir a fabricação dos instrumentos no Brasil e importá-los de países asiáticos. O declínio da indústria brasileira de violões se acentuou há uma década com o avanço das importações dos violões asiáticos. Hoje, as empresas Tajima (brasileira), Takamine (japonesa), Crafter (coreana) e outras importam e vendem no Brasil violões feitos com custos menores na Ásia.

É fácil justificar que no Brasil a mão-de-obra e os impostos encarecem os produtos, mais que na China, Coréia do Sul e Japão. E que isto fez o Brasil chegar à importação de um milhão de violões em 2014. Porém, coisa parecida acontece em outros países. Os norte-americanos lamentam o declínio das suas marcas tradicionais – como Harmony, Kay e Regal –, que sequer tiveram tempo de se modernizar para competir. O lado positivo, da parte dos asiáticos, foi sua contribuição para expansão do violão.

O violão está em alta no mundo. Não faltam consumidores para tanta produção. Há diversos tipos, qualidades e preços, capazes de seduzir todos os interessados, masculinos e femininos de todas as idades. É a estrela de vendas nas lojas de instrumentos musicais. No Brasil, é ítem obrigatório nas duplas sertanejas e bandas de música pop. Nos grandes espetáculos, é só olhar para ver os astros de rock e blues empunhando violões. Nos recitais refinados, o violão clássico encanta platéias.

O violão moderno tem muitos antepassados desde os povos antigos. Mas é reconhecido que – como ele é hoje – nasceu das mãos do "luthier" espanhol Antônio de Torres Jurado (1817 – 1892). Este desenhou e construiu o violão com as estruturas internas de sustentação e propagação de som, no formato externo atual. Seu violão logo ganhou prestígio com o talento do violonista clássico Francisco Tárrega (1852 – 1909), autor de peças famosas como Recuerdos de la Alhambra e Capricho árabe.

A evolução das empresas estimula o trabalho dos "luthiers" (artesãos que prestam assistência técnica e constroem instrumentos personalizados), favorece a disseminação de instrumentos de boa qualidade, coopera com o desenvolvimento das artes. O violão, que é clássico, é de longe o instrumento mais popular do mercado mundial da música. É bom saber que isso permite a mais pessoas se dedicar à musica e viver dela. É bom ouvir boas músicas tocadas por violonistas de todos os cantos do mundo.

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