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sábado, 11 de junho de 2016

Amor e democracia

Pe. Antonio de Jesus Sardinha

"Somos convidados a "sair de casa", a ter os olhos e o coração abertos. A nossa revolução passa pela ternura, pela alegria que sempre se faz proximidade, que sempre se faz compaixão e leva a envolver-nos, para servir na vida dos outros." Papa Francisco

A vida é uma escola. Vamos "vivendo, amando e aprendendo." (Livro de Leo Buscaglia). Quando nos indignamos, então estamos propensos a novos passos qualitativos na vida. Nestes tempos tenho me indignado com as violências diversas contra a mulher: estupros, agressões físicas, desrespeito... Tenho sentido muito o sofrimento das famílias, desde o desemprego, salários baixos, como também os desentendimentos, as brigas, a incapacidade de dialogar, de se tratarem com dignidade, com igualdade.

Também as doenças na família, como dengue, zica vírus, chikungunya, "frutos maus" do saneamento básico insatisfatório, da cultura do "deixa pra lá", da transferência de responsabilidade para o poder público, que por sua vez só economiza nos gastos.

E quanto câncer! Quanto gasto na busca da cura dessa doença! Somos muitas vezes alertados para fazer exames preventivos. Mas ainda falta muito empenho na busca, na pesquisa das causas. Escutamos falar de agrotóxicos causadores de câncer. Porém, o que se faz mesmo?

Está doendo muito em mim as notícias sempre crescentes dos homens públicos que se enriquecem de modo estranho. E as eleições se aproximam. Como a sociedade está participando desse processo de escolha de candidaturas? Como as mulheres serão representadas? E a juventude? Os estudantes? Os trabalhadores? Os trabalhadores do campo? Professores? Os moradores dos bairros? Quem representará os direitos de moradia, saúde, das raças, das minorias?

Acreditamos que o ser humano tem uma responsabilidade especial no meio de toda essa criação. Afinal cremos que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Vale dizer que Deus é Amor, e porque ama, é Criador. "Quem ama, cria". Somos seres que devemos marcar nossa história pela vivência do amor. Se amar é viver, também viver é amar.

O Dia dos Namorados, nas festas juninas, na devoção a Santo Antonio, nos faz pensar no projeto que é construir uma família, uma célula da sociedade. Que tipo de relações estabelecemos em nossos dias? Falamos muito de uma sociedade plural, de respeito às visões diferentes, mas na verdade esse é um aprendizado muito lento. Como desenvolvemos o espírito de igualdade dentro de casa? O mundo de hoje tem muitos "mestres", mas poucos "exemplos".

As palavras emocionam, mas os exemplos arrastam. Por isso, a educação que penetra na personalidade dos filhos, formando a nova sociedade, é aquela vivida na família. Um pai carinhoso com sua esposa, que ajuda nos serviços da casa, na limpeza, no fogão, nas louças, no diálogo respeitoso, certamente educa o homem a valorizar a mulher, e a mulher a se relacionar de modo saudável com o homem. A mulher que trabalha fora do ambiente doméstico, que contribui com a manutenção da casa, que participa das conversas que decidem o uso do dinheiro da família, certamente está educando os filhos e filhas para a importância do trabalho, e também das decisões que devem ser tomadas em conjunto.

"Nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada de uma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento de sua capacidade de amar." (Amoris Laetitia, Papa Francisco)

Esse espírito dialogal, democrático, dentro de casa leva as pessoas aí formadas a influenciarem seu meio escolar, de trabalho, de instituições, e, por conseqüência, na sociedade como um todo. Certamente precisamos de mudanças profundas na família, nas relações, nos comportamentos. Na sociedade, entre outros, uma reforma política, sem perder as conquistas populares, mas garantindo mais participação e mais transparência.

Pe. Antonio de Jesus Sardinha, Vigário Geral da Diocese de Jales Assistente Social / Psicopedagogo.

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