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sábado, 28 de maio de 2016

Nem me fale de política

Por Renata Matiussi de Oliveira , Sérgio Marcos Nunes
e Isabelle Dias Carneiro Santos

O ano de 2016 é mais um em que o povo terá que ir às urnas escolher homens e mulheres para comporem os poderes Executivo e Legislativo municipais; as eleições estão se aproximando, e o que temos visto? Quase ou nenhuma empolgação dos eleitores, em grande parte decorrente da intensa decepção do povo quanto ao não cumprimento de promessas feitas em campanhas, aliado à escancarada onda de corrupção, tanto ativa quanto passiva, no meio político.
Ao mergulharmos nesse imenso e vasto mar, podemos constatar que a política em si não é algo ruim; antes, é essencial para fortalecimento das instituições democráticas e para caminharmos juntos em busca do bem comum. Grandes políticos da nossa história construíram e contribuíram para a formação de uma sociedade mais justa e solidária, tendo como base os interesses da maioria, e não de uma minoria privilegiada.
Ressalte-se que, por definição, política é "a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados" (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues - 18/02/16). Assim, esse termo pode ser entendido como uma ação que visa ao bem-estar e aos interesses dos cidadãos; porém, na prática, não é bem isso o que acontece. O dinheiro público passou a ser "público", ou seja, de todos os que estão no poder, revelando um patrimonialismo escancarado, uma verdadeira "terra de ninguém". Nossos governantes, eleitos por nós, com a função única de nos representar, acham-se no direito de "meter a mão" no dinheiro público sem o menor constrangimento ou pudor.
Há, portanto, uma inversão de valores por parte dos que detêm cargos eletivos, uma vez que deveriam cuidar do seu povo e não o fazem por acharem que é o contribuinte quem tem o dever de trabalhar para atender a seus interesses políticos. E, no final, quem sempre paga a conta pelos exageros e abuso de poder somos nós, a massa trabalhadora. Caminham nossos políticos na contramão do que preconizava a "dama de ferro", Margaret Thatcher, quando salientou que não há dinheiro público; há apenas "dinheiro dos contribuintes". Pois bem: se o dinheiro é nosso, por que aceitamos passivamente a corrupção? E de quem é a culpa de toda essa ladroeira em nossas cidades e País?
Meu caro leitor, a corrupção política pode começar dentro da sua casa, a partir do momento em que você aceita alguma promessa de campanha para benefício próprio e de sua família, ou quando você fecha os olhos para os erros políticos para não perder algum benefício, ínfimo que seja. Não estamos preocupados com o "nosso", pois o "nosso" é de todos; estamos preocupados com o "meu", com o individualismo, e não com o coletivo; com o hoje, e não com o amanhã.
A escola, o hospital, a fomentação da produção agrícola, a creche e a cultura são de todos; portanto, se fecharem as portas, não me atingem diretamente; mas a cesta básica, a bolsa-família, o saco de cimento, o combustível para o carro, o tijolo para construção do muro, a cervejinha no boteco e tantos outros benefícios pessoais são meus, e, se os cortarem, atingem a mim. Aí sim vou para as ruas gritar bem alto: "Fora", "Abaixo a corrupção", defendendo, com isso, somente os meus interesses. O bem comum, definitivamente, não nos interessa. Estamos longe de ser uma nação fraterna e solidária.
Quer mudanças? Então comece por você mesmo! Não peça favores a candidatos, pois o de graça tem o seu preço. Fiscalize, cobre trabalho coletivo de seus representantes, assuma o seu papel de cidadão, participe ativamente da vida política; se não a partidária, então aquela que todos os dias se nos apresenta em todos os atos da existência. Se até mesmo o preço do pãozinho diário, tão comum nas mesas brasileiras, depende da política, quanto mais o seu futuro. Do contrário, concordemos e cantemos com Zé Ramalho: "Eh, ô, ô, vida de gado. Povo marcado. Eh, povo feliz!".
Renata Matiussi de Oliveira e Sérgio Marcos Nunes - Acadêmicos do curso de Direito da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS.
Isabelle Dias Carneiro Santos - Docente do curso de Direito da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS. e-mail: professoraisabellesantos@gmail.com


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