Por Arthur Carvalho Rodrigues e Marçal Rogério Rizzo
Recentemente, o Ministério da Educação divulgou os resultados da avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) edição de 2010. Das 100 primeiras escolas do ranking, apenas 13 são públicas – considerando as médias totais dos alunos e colégios que tiveram mais de 75% de participação no exame.
Foi, digamos, um resultado decepcionante para quem sonha com uma escola pública de qualidade. Os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul estão entre os primeiros na lista. As três primeiras escolas públicas seguem a seguinte ordem: Colégio de Aplicação – COLUNI/UFV –, de Minas Gerais, que está na 8ª posição do ranking nacional, seguido pelo Colégio Militar de Belo Horizonte, em 21º lugar, e em terceiro, marcando a 24ª posição, está o Instituto de Aplicação Fernando da Silveira CAP-UERJ, do Rio de Janeiro.
O episódio sugere que façamos alguns questionamentos: por que somente 13 escolas públicas conseguiram ficar entre as 100 primeiras colocadas? Qual a diferença entre o ensino público e o ensino privado?.
Esse acontecimento também acende uma reflexão sobre se, quando e como poderá haver salto qualitativo na educação pública no Brasil. Não custa lembrar que, no Brasil, os adolescentes ainda são incapazes de resolver questões simples, como operações básicas de matemática, deixam a desejar na hora de interpretar textos pequenos. Por outro lado, há um desânimo e despreparo de parte dos professores no que diz respeito a despertar o interesse dos alunos por aprender. Muitos professores estão sobrecarregados, ministrando aulas o dia todo para complementar seu mísero salário. Infelizmente, a profissão de professor não desperta a interesse de boa parte da população brasileira por pagar baixos salários. Hoje, os rostos dos professores do ensino público expressam desânimo com a profissão, medo dos alunos e do próprio governo, que se comporta como um inimigo da educação de qualidade. Os professores correm risco de morte no exercício de sua função. Vejam os casos de Realengo, no Rio de Janeiro, e, mais recentemente, o caso do menino de 10 anos que atirou nas costas da professora no ABC paulista. Com esse cenário que aí está, também, por enquanto, está fora de cogitação que a educação pública ocupe o seu devido lugar e grau de importância.
Não podemos, no entanto, creditar toda a culpa aos professores pela baixa qualidade no ensino público. Há, sim, falta de investimento na área. Outro desafio da educação no Brasil é o alto índice de analfabetismo, que ainda figura entre os mais elevados do mundo. De acordo com dados apresentados na Revista Veja, 11% da população acima de 15 anos não sabem ler e escrever adequadamente. O índice coloca o país em 9º lugar no ranking de analfabetismo da América Latina, atrás, entre outros, de Suriname (10,4%), Colômbia (7,2%), Chile (4,3%) e Argentina (2,8%). Não bastasse isso, cerca de 15% da população com idade entre 15 e 24 anos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que freqüentaram (ou não) a escola, mas conseguem apenas ler apenas textos curtos, como cartas, e lidar com números em operações simples, como o manuseio de dinheiro.
Mesmo de uma perspectiva relativamente superficial, pode-se afirmar que a diferença entre as escolas públicas e particulares decorre da discrepância quanto ao preparo e estímulo dos professores, da quantidade e qualidade do material de apoio e didático ao estudante, além da adequação do ambiente e infraestrutura (ambientes mais adequados permite aulas mais atrativas). Não se pode deixar de considerar que algumas escolas particulares oferecem aulas-extras em outros períodos para seus alunos, enquanto nas escolas públicas priorizam-se, em geral, apenas 4 horas diárias, enquanto há países em que os alunos passam de 6 a 8 horas nas escolas, mesmo nas públicas.
Neste "Brasil sem educação" e visivelmente acomodado, assistimos ao fracasso do modelo brasileiro de ensino e aprendizagem que visa manter um padrão inflexível e igual para todos, sendo cada vez mais maçante e enciclopédico. Marcada pela ineficácia, o modelo tira do aluno e professor a criatividade, a inovação e toda expectativa, silenciando a diferença de interesses.
Como se vê, precisamos buscar formas e fórmulas do sucesso de outros países onde a educação é realmente valorizada. Os baixos salários dos professores também exercem impacto negativo na educação. Eles precisam trabalhar em várias escolas e nos três períodos para terem um melhor salário, o que prejudica a qualidade das aulas que preparam. As escolas precisam melhorar sua estrutura, uma vez que o descaso também se apresenta por falta de manutenção nos prédios. No Brasil, temos milhares de escolas que não possuem nem mesmo banheiros. Enfim, a educação precisa ser vista como investimento e não gasto! Arthur Carvalho Rodrigues: Acadêmico do Curso de Administração da UFMS – Câmpus de Três Lagoas/MS. Email: arthur_carvalho_rodrigues@hotmail.com Marçal Rogério Rizzo: Economista e Professor da UFMS – Câmpus de Três Lagoas/MS. Email: marcalprofessor@yahoo.com.br
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