*Rosimeire Silva
A obesidade não é algo raro de se ver nos dias de hoje. É um problema que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro. A surpresa vem sendo o aumento da obesidade nas crianças. De acordo com o Ministério da Saúde é considerada obesidade infantil aquelas crianças que possuem um IMC superior a 22,8 (nove anos de idade). Associado a obesidade, existe uma série de complicações que afetam a saúde da criança são elas a hipertensão, dislipidemias e a intolerância à glicose, que pode causar diabetes mellitus tipo 2. Esses quadros até pouco tempo atrás eram característicos de adultos, porém vem sendo diagnosticados cada vez mais em pacientes jovens.
Fatores como o gasto de tempo em frente da televisão, ingestão de alimentos com alto teor calórico (que não necessariamente são ingeridos em grande quantidade) atividades físicas reduzidas ou nulas, várias vezes trocadas por videogames e a internet, colaboram com este índice percentual tão alto. Em relação à atividade física, geralmente a criança obesa é pouco hábil no esporte, não se destacando. Para a atividade física sistemática, deve-se realizar uma avaliação clínica criteriosa. No entanto, a ginástica formal, feita em academia, a menos que muito apreciada pelo sujeito, dificilmente é tolerada por um longo período, porque é um processo repetitivo, pouco lúdico e artificial no sentido de que os movimentos realizados não fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas. Além disso, existe a dificuldade dos pais e/ou responsáveis de levarem as crianças em atividades sistemáticas, tanto pelo custo como pelo deslocamento. Portanto, devem-se ter idéias criativas para aumentar a atividade física, como descer escadas do edifício onde mora, caminhar ao redor do quarteirão, pular corda, caminhar na quadra, além de ajudar nas lidas domésticas. O fato de mudar de atividade, mesmo que ela ainda seja sedentária, já ocasiona aumento de gasto energético e, especialmente, mudança de comportamento, de não ficar inerte, por horas, numa só atividade sedentária, como se fosse um vício.
Os obesos encontram muitas dificuldades para emagrecer. Principalmente as crianças, tendo em vista que a maioria dos produtos são dirigidos ao público infantil. Alguns exemplos são os hamburgues duplos e as promoções de super batatas fritas que vem com um brinquedo. Dificuldade em estabelecer um bom controle de saciedade é um fator de risco para desenvolver obesidade, tanto na infância quanto na vida adulta. Quando as crianças são obrigadas a comer tudo o que é servido, elas podem perder o ponto da saciedade. A saciedade se origina após o consumo de alimentos, suprime a fome e mantém essa inibição por um período de tempo determinado. É essencial que sejam avaliados a disponibilidade de alimentos, as preferências e recusas, o local onde são feitas as refeições, quem as prepara e administra as atividades habituais da criança, a ingestão de líquidos nas refeições e intervalos, e os tabus e crenças alimentares. Diminuir o consumo de alimentos e preparações hipercalóricas já é suficiente para a redução do peso.
Alguns especialistas afirmam que o leite materno é um importante aliado na prevenção da obesidade infantil. Esse aspecto pode ser levado em conta já que a obesidade também pode ser causada por problemas fisiológicos, do metabolismo, que seriam prevenidos com os componentes do leite materno. Porém sempre a melhor prevenção será uma dieta equilibrada, acompanhada de exercícios físicos. É interessante ressaltar que políticas educativas aplicadas no nível primário de saúde e na educação das escolas ajudariam a população a se conscientizarem de que as crianças devem comer bem para no futuro terem uma saúde adequada. É fundamental ainda, salientar que crianças e adolescentes seguem padrões paternos; e se esses não forem modificados ou manejados em conjunto, o insucesso do tratamento já será previsto. A prevenção continua sendo o melhor caminho. *Rosimeire Silva, residente em Jales É enfermeira, pela Fundação Educacional de Fernandópolis, pós graduada em docência e pós-graduanda emUrgência e Emergência pela FALC- Faculdade Aldeia de Carapicuíba.

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