| Freepik |
João Guilherme Sabino Ometto*
A recente inauguração do Centro de Engenharia do Google no campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária da USP, em São Paulo, é um avanço estratégico que reforça o papel da ciência, da engenharia e da pesquisa como pilares do desenvolvimento econômico e da competitividade. Mais do que um novo espaço, nasce um ambiente onde conhecimento, tecnologia e formação de talentos passam a conviver, criar e inovar.
Não é por acaso que o Google escolheu o IPT para instalar seu segundo centro de engenharia no Brasil, ao lado da unidade de Belo Horizonte. Empresas que lideram a fronteira tecnológica mundial procuram ecossistemas capazes de reunir pesquisadores qualificados, universidades de excelência e infraestrutura científica. A sede do instituto proporciona exatamente a combinação sinérgica desses elementos.
O novo centro também aponta uma sinalização emblemática: durante décadas, o Brasil exportou cérebros e importou tecnologia. Aos poucos, esse cenário começa a mudar. Quando uma das maiores empresas do universo digital do mundo decide ampliar sua capacidade de desenvolvimento em nosso país, reconhece que aqui existe competência técnica para criar soluções que terão impacto global.
A unidade do Google nasce dentro do IPT Open, programa criado justamente para aproximar institutos de pesquisa, universidades, empresas e startups. Essa integração talvez seja um dos maiores diferenciais da iniciativa. A inovação dificilmente acontece de maneira isolada. Ela floresce quando diferentes atores compartilham desafios, conhecimento e experiências. É nesse ambiente que uma pesquisa acadêmica transforma-se em produto, uma empresa inovadora ganha vida e escala e uma ideia alcança milhões de pessoas.
Cabe enfatizar que o complexo também abriga o Google Campus, voltado a startups de inteligência artificial, além dos primeiros Google Safety Engineering Center e Accessibility Discovery Center da América Latina. A presença simultânea desses ambientes cria um ciclo virtuoso de colaboração entre pesquisadores, empreendedores e grandes empresas, fortalecendo um ecossistema de inovação que tende a beneficiar todo o País.
Outro aspecto relevante está nas áreas em que atuarão as equipes de engenharia. O foco, conforme pude aquilatar, será o desenvolvimento de tecnologias de privacidade, segurança digital e IA, hoje entre os temas mais estratégicos da economia. À medida que essa tecnologia revolucionária redefine modelos de negócios, transforma profissões e altera a forma como produzimos conhecimento, participar da criação dessas soluções é muito diferente de apenas utilizá-las. Quem desenvolve conhecimento ocupa posição de protagonismo; quem apenas o consome permanece dependente.
Outro lado expressivo que vejo nessa parceria entre Google e IPT encontra-se no fator humano. O Brasil forma excelentes engenheiros, cientistas da computação e pesquisadores, mas historicamente perdeu muitos deles para polos tecnológicos no exterior. A chegada de um centro global de engenharia amplia as possibilidades de retenção desses talentos, oferecendo oportunidades para que profissionais desenvolvam tecnologias utilizadas por bilhões de pessoas sem precisar deixar nosso país.
Esse movimento também tende a elevar o nível técnico de todo o ecossistema ao redor. A convivência entre pesquisadores do IPT, estudantes da USP, startups e engenheiros do Google favorece a circulação de conhecimento, estimula novas pesquisas e acelera a transformação de ideias em inovação. É exatamente assim que surgem os grandes polos tecnológicos do mundo.
Há, ainda, um simbolismo instigante na escolha do espaço. O novo centro ocupa um edifício histórico da década de 1940, restaurado para preservar sua arquitetura original enquanto incorpora infraestrutura tecnológica de última geração. A mensagem é clara: inovação não significa romper com a história, mas construir o futuro sobre bases sólidas. A meu ver, a revitalização de outros ambientes do IPT, incluindo uma biblioteca, reforça o compromisso com a produção de conhecimento.
Há outras importantes iniciativas para o nosso desenvolvimento, como o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB). Com sede em São Bernardo do Campo (SP), foi criado em 2011 em parceria com a empresa Saab. Trata-se de um hub de inovação aberta, integrando universidades brasileiras e suecas para desenvolver projetos de defesa, mobilidade e sustentabilidade. Corporações como a Biotrop mantêm centros de P&D no Brasil pesquisando defensivos biológicos e agricultura tropical, exportando tecnologias para mercados internacionais. A Repsol Sinopec também lidera aportes em P&D para transição energética offshore, geração através de turbinas eólicas marítimas.
Penso que um mérito ímpar dessas parcerias seja demonstrar como o desenvolvimento tecnológico ganha força por meio da articulação entre Estado, universidades, institutos de pesquisa e empresas dispostas a inovar. Tais investimentos simbolizam essa convergência, representam um voto de confiança na capacidade científica brasileira e um passo importante para consolidar São Paulo como um dos principais polos de pesquisa, engenharia e inteligência artificial da América Latina.
*João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP), empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).
|
Um ato de valorização
da ciência brasileira
João Guilherme Sabino Ometto*
A recente inauguração do Centro de Engenharia do Google no campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária da USP, em São Paulo, é um avanço estratégico que reforça o papel da ciência, da engenharia e da pesquisa como pilares do desenvolvimento econômico e da competitividade. Mais do que um novo espaço, nasce um ambiente onde conhecimento, tecnologia e formação de talentos passam a conviver, criar e inovar.
Não é por acaso que o Google escolheu o IPT para instalar seu segundo centro de engenharia no Brasil, ao lado da unidade de Belo Horizonte. Empresas que lideram a fronteira tecnológica mundial procuram ecossistemas capazes de reunir pesquisadores qualificados, universidades de excelência e infraestrutura científica. A sede do instituto proporciona exatamente a combinação sinérgica desses elementos.
O novo centro também aponta uma sinalização emblemática: durante décadas, o Brasil exportou cérebros e importou tecnologia. Aos poucos, esse cenário começa a mudar. Quando uma das maiores empresas do universo digital do mundo decide ampliar sua capacidade de desenvolvimento em nosso país, reconhece que aqui existe competência técnica para criar soluções que terão impacto global.
A unidade do Google nasce dentro do IPT Open, programa criado justamente para aproximar institutos de pesquisa, universidades, empresas e startups. Essa integração talvez seja um dos maiores diferenciais da iniciativa. A inovação dificilmente acontece de maneira isolada. Ela floresce quando diferentes atores compartilham desafios, conhecimento e experiências. É nesse ambiente que uma pesquisa acadêmica transforma-se em produto, uma empresa inovadora ganha vida e escala e uma ideia alcança milhões de pessoas.
Cabe enfatizar que o complexo também abriga o Google Campus, voltado a startups de inteligência artificial, além dos primeiros Google Safety Engineering Center e Accessibility Discovery Center da América Latina. A presença simultânea desses ambientes cria um ciclo virtuoso de colaboração entre pesquisadores, empreendedores e grandes empresas, fortalecendo um ecossistema de inovação que tende a beneficiar todo o País.
Outro aspecto relevante está nas áreas em que atuarão as equipes de engenharia. O foco, conforme pude aquilatar, será o desenvolvimento de tecnologias de privacidade, segurança digital e IA, hoje entre os temas mais estratégicos da economia. À medida que essa tecnologia revolucionária redefine modelos de negócios, transforma profissões e altera a forma como produzimos conhecimento, participar da criação dessas soluções é muito diferente de apenas utilizá-las. Quem desenvolve conhecimento ocupa posição de protagonismo; quem apenas o consome permanece dependente.
Outro lado expressivo que vejo nessa parceria entre Google e IPT encontra-se no fator humano. O Brasil forma excelentes engenheiros, cientistas da computação e pesquisadores, mas historicamente perdeu muitos deles para polos tecnológicos no exterior. A chegada de um centro global de engenharia amplia as possibilidades de retenção desses talentos, oferecendo oportunidades para que profissionais desenvolvam tecnologias utilizadas por bilhões de pessoas sem precisar deixar nosso país.
Esse movimento também tende a elevar o nível técnico de todo o ecossistema ao redor. A convivência entre pesquisadores do IPT, estudantes da USP, startups e engenheiros do Google favorece a circulação de conhecimento, estimula novas pesquisas e acelera a transformação de ideias em inovação. É exatamente assim que surgem os grandes polos tecnológicos do mundo.
Há, ainda, um simbolismo instigante na escolha do espaço. O novo centro ocupa um edifício histórico da década de 1940, restaurado para preservar sua arquitetura original enquanto incorpora infraestrutura tecnológica de última geração. A mensagem é clara: inovação não significa romper com a história, mas construir o futuro sobre bases sólidas. A meu ver, a revitalização de outros ambientes do IPT, incluindo uma biblioteca, reforça o compromisso com a produção de conhecimento.
Há outras importantes iniciativas para o nosso desenvolvimento, como o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB). Com sede em São Bernardo do Campo (SP), foi criado em 2011 em parceria com a empresa Saab. Trata-se de um hub de inovação aberta, integrando universidades brasileiras e suecas para desenvolver projetos de defesa, mobilidade e sustentabilidade. Corporações como a Biotrop mantêm centros de P&D no Brasil pesquisando defensivos biológicos e agricultura tropical, exportando tecnologias para mercados internacionais. A Repsol Sinopec também lidera aportes em P&D para transição energética offshore, geração através de turbinas eólicas marítimas.
Penso que um mérito ímpar dessas parcerias seja demonstrar como o desenvolvimento tecnológico ganha força por meio da articulação entre Estado, universidades, institutos de pesquisa e empresas dispostas a inovar. Tais investimentos simbolizam essa convergência, representam um voto de confiança na capacidade científica brasileira e um passo importante para consolidar São Paulo como um dos principais polos de pesquisa, engenharia e inteligência artificial da América Latina.
*João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP), empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).
.jpg)
Comentários
Postar um comentário