*José Renato Nalini
A Inteligência Artificial – IA, já está nos dominando. Duvido que haja alguém imune à sua influência. Tudo aquilo que fazemos já tem a participação ativa da IA, queiramos ou não, saibamos ou não.
Isso não deve trazer mais um catastrofismo para a nossa era apocalíptica. Nem tudo desaparecerá por força da IA. Ao contrário, quem estiver preparado subsistirá e com vantagens.
O especialista Ian Beacraft, fundador da Consultoria Signal and Cipher e com grande expertise em IA nas empresas, carreiras e trabalho, salienta aquilo que já tenho dito em outras reflexões. Uma educação que só ensina a decorar, a memorizar e a repetir aquilo que se decorou, não servirá para o mundo da IA. É preciso investir naquelas competências chamadas “socioemocionais”.
Não é aprender a tecnologia da IA ou conhecer tudo aquilo que ela pode realizar em lugar do ser humano que importará. Continuará a necessidade de haver pessoas com conhecimento profundo. A IA automatiza, mas ela não tem “discernimento, a compreensão e a sabedoria de quem já se deparou com situações e casos extremos centenas ou milhares de vezes, para saber quais perguntas fazer, para saber como antecipar certos casos extremos ou cenários que outros podem não ter vivenciado antes”.
Isso é mais importante do que dominar a técnica da IA. Por isso, é investir na adoção de discernimento e na capacidade de articular intenções. Ou seja: entender o que deve ser construído e como deve ser construído, ou o que deve ser criado com IA. Ninguém substitui a sensatez, o bom senso, o equilíbrio, a vontade de compreender os problemas e de ter serenidade para tentar solucioná-los.
Não tema a IA. Embora ela não seja sua amiga, ela poderá ajudar no desempenho de seu trabalho, se você estiver preparado para lidar com ela. Tudo a seu tempo. Ter esperança, sem desespero, nem antecipação do sofrimento. A cada dia, basta sua própria aflição. Mensagem do Evangelho muito olvidada em nossos dias de adiantamento da angústia.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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