*José Renato Nalini
Costumava chamar de “refúgios
climáticos” as áreas verdes tão escassas na maior parte de nossas cidades,
condenadas à desertificação. A poderosa indústria da construção civil não leva
em consideração o fator verde, essencial para a saúde física e mental dos
futuros moradores desses milionários empreendimentos. Mas o “politicamente
correto” me advertia de que não é bom falar em “refúgio”. Assim como é proibido
hoje falar em “covas”, aquelas aberturas no solo para receber novas árvores.
Deve-se falar em “berços”.
Mas Lisboa mostra que falar em
“refúgio climático” é mais apropriado do que outra denominação qualquer. Com o
agravamento da crise climática, as pessoas precisam mesmo é de refúgios. De
lugar de acolhimento, para que não pereçam em virtude das temperaturas
elevadas, silenciosas ceifadeiras de vida. O calor mata mais do que o frio.
Os lisboetas separaram cinquenta
bilhões para adaptar a cidade para eventos extremos até 2030. No começo deste
ano, cinco tempestades, em três semanas, assolaram a capital portuguesa. Eles
também dispõem de um PDGL – Plano Geral de Drenagem de Lisboa, obra orçada em
250 milhões de euros, ou algo como um bilhão e meio de reais. Enquanto São
Paulo tem um PlanClima, o Plano de Ação Climática para a maior cidade
brasileira, Lisboa tem um Contrato Climático da Cidade – o CCC. É um plano que
prevê a redução de 80% das emissões de gases de efeito estufa até 2030.
Para isso, reabilitarão edifícios e
praças e criarão áreas verdes, para honrar o título de Capital Verde da Europa,
outorgado pela Comissão Europeia em 2020, a primeira cidade do sul do
continente a receber a honraria. Como São Paulo, em Lisboa os automóveis são o
maior vilão na emissão dos gases venenosos. Não é fácil seguir o exemplo de
Copenhague, que conseguiu substituir carros pelas bicicletas e o de Paris, que
reduziu drasticamente a circulação de veículos no centro histórico.
O que é preciso saber: todas as
cidades do mundo estão preocupadas com as emergências climáticas e essa
preocupação tem de chegar a todos os lares, pois cada pessoa pode e deve fazer
algo para melhorar as condições existenciais de sua casa, de sua rua, de seu
bairro, de sua cidade, de seu país e do único mundo de que dispomos para viver.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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