*José Renato Nalini
A escassez hídrica é um fato
comprovado e não parece mobilizar a sociedade para a busca de possíveis
soluções. São Paulo é uma cidade que não tem água suficiente para atender aos
seus quase treze milhões de habitantes. Já passou por crises sérias em 2013/2015
e está prestes a enfrentar uma outra, bem mais grave.
Os reservatórios, mercê da ocupação
indiscriminada, irregular, clandestina e criminosa de suas margens, estão
contaminados. O sistema de tratamento não consegue eliminar tudo aquilo que
compromete a saúde de todos. E isso não é privilégio paulistano. Todas as
cidades brasileiras têm descompasso com a disponibilidade de água, pelo menos
em um quarto do território nacional, conforme esclarece Clayton Castelani em
texto recente.
No período entre 1985 e 2024, o
Brasil viu crescer a mancha urbana sobre 670 mil hectares de áreas naturais. É
um fenômeno que impacta diretamente 1.325 municípios e a maior cidade do Brasil
– São Paulo – está prestes a enfrentar um colapso.
Com a privatização da SABESP, acena-se
com a universalização do saneamento básico, o que implicaria em atender à
população ribeirinha que joga esgoto in natura nas represas, notadamente a mais
vulnerável, que é a Guarapiranga. Mas o Brasil ainda enfrenta a falta de água
potável em grande parte de seu território.
A situação é dramática em quase
todos os lugares. Conforme esclarece Luana Pretto, do Instituto Trata Brasil,
“para cada grau Celsius adicional, a demanda por água cresce 24,9%”. Os
desafios hídricos tendem a se intensificar, porque a temperatura só faz
aumentar e o aquecimento global desregula o clima, afetando a quantidade de
água disponível.
O que vai acontecer quando o
racionamento for rotineiro e a água disponível não for aquilo que se ensinou no
ensino fundamental: líquido incolor, inodoro, insípido? A ONU já advertiu o
mundo: estamos enfrentando a “falência hídrica” e mais de 70% dos aquíferos no
planeta estão declinando.
É um assunto a ser debatido em todos
os lugares, em todas as instâncias e em todos os lares. O que vai acontecer
quando a água faltar? Como é que sobreviveremos? Você tem alguma ideia a
respeito?
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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