Especialista do Crea-SP explica como a escolha de tintas e papéis define se o material poderá ser reciclado ou não
A cada eleição, dezenas de toneladas de materiais impressos de propaganda de candidatos ganham as ruas. Embora o destino correto devesse ser as cooperativas de reciclagem para a triagem destes materiais, uma boa parte ainda é descartada de forma irregular em vias públicas.
Para dar dimensão ao volume recolhido oficialmente, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) registrou 45 toneladas de propaganda dispensadas em 2022 e cerca de 35 toneladas no pleito municipal de 2024. O que pouca gente sabe é que o ciclo de vida desses itens e a viabilidade da sua reciclagem começam bem antes da distribuição, a partir de decisões técnicas guiadas pela Engenharia química.
O trabalho dos engenheiros químicos foca em alternativas que consumam menos recursos naturais e facilitem o reaproveitamento pós-uso. Na prática, a orientação é priorizar papéis reciclados e evitar plastificações ou acabamentos que impeçam a reciclagem nas usinas.
“A contribuição da Engenharia química nas eleições começa muito antes de o santinho chegar às mãos do eleitor. Por trás de um impresso tão pequeno, existem escolhas sobre o papel, as tintas e os revestimentos que podem aumentar ou reduzir seu impacto no meio ambiente. O mesmo critério deve também ser utilizado na escolha dos demais materiais, como faixas, windbanners, etc.”, explica a engenheira bioquímica e engenheira química Nelize Maria de Almeida Coelho, coordenadora da Câmara Especializada de Engenharia Química (CEEQ) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP).
Além da base de papel, a composição das tintas é um fator decisivo. A Engenharia atua no desenvolvimento e na escolha de formulações menos tóxicas e com menor emissão de poluentes na produção. A avaliação técnica, no entanto, precisa considerar todo o processo produtivo.
“Tintas com componentes de origem vegetal podem ser uma alternativa, mas isso não significa, por si só, que sejam sempre mais sustentáveis. É preciso analisar a composição da tinta, o processo de impressão, a energia utilizada na secagem e a possibilidade de reciclar o papel posteriormente”, detalha Nelize.
A combinação entre papel, tinta e revestimento dita o comportamento do resíduo. Segundo a especialista, não há um prazo único de decomposição para os santinhos, pois o processo muda de acordo com as condições de temperatura, umidade e presença de microrganismos nos locais de descarte.
Mesmo com os avanços na tecnologia de materiais, a etapa logística de encerramento da campanha é necessária. “Essas medidas precisam vir acompanhadas da redução de impressões desnecessárias, da coleta e da destinação correta. Afinal, a preocupação ambiental de uma campanha começa na escolha do que será impresso e continua mesmo depois do fim da votação”, completa a engenheira.
Para viabilizar essa etapa final de descarte, o TRE-SP indica pontos que recebem os materiais para destinação correta. A lista disponibilizada pelo tribunal traz os endereços das cooperativas e também aponta os municípios que fazem coleta seletiva e possuem catadores individuais. Os partidos e candidatos têm até o dia 30 de novembro para informar ao órgão a quantidade de materiais encaminhados para a reciclagem.
Sobre o Crea-SP - Criada há 92 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das Engenharias, Agronomia e Geociências. O Crea-SP está presente nos 645 municípios do Estado, conta com cerca de 380 mil profissionais registrados e mais de 110 mil empresas registradas.

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