MASP apresenta primeira mostra de Pablo Delano no Brasil



 

Instalação O museu da antiga colônia reúne cerca de 300 fotografias e objetos que propõem uma reflexão sobre a história de Porto Rico, considerado a colônia mais antiga do mundo


 

Pablo Delano, As duas bandeiras, 2020, O museu da antiga colônia


 

Acesse aqui o press kit completo com imagens


 

30 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027


 

O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 30 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, Pablo Delano: o museu da antiga colônia, primeira mostra individual do artista porto-riquenho no Brasil. Artista visual e fotógrafo reconhecido por sua atuação no campo do arquivo e da memória de povos latino-americanos e caribenhos, Pablo Delano (Porto Rico, 1954) propõe, nesta exposição, uma reflexão sobre o status político e social de seu país natal, considerado a colônia mais antiga do mundo.


 

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Fernando Oliva, curador, MASP, a mostra tem como centro o projeto O museu da antiga colônia, que articula imagens, objetos e documentos relacionados à história colonial de Porto Rico, desde a dominação espanhola até a atual condição da ilha como território não incorporado dos Estados Unidos. A instalação funciona como “um museu dentro do museu”, reproduzindo e, ao mesmo tempo, questionando os modos tradicionais de organizar, classificar e apresentar objetos e imagens. Fotografias históricas são ampliadas e fixadas diretamente nas paredes, sem molduras, ao lado de objetos do cotidiano — como é o caso das garrafas do refrigerante Old Colony, produto criado nos Estados Unidos e atualmente comercializado apenas em Porto Rico, que dá origem ao título da exposição.


 

“Pablo Delano oferece a possibilidade de olhar para a história de Porto Rico, e sua colonização pelos Estados Unidos, de uma outra maneira. Mais crítica, certamente, mas também com alguma graça e ironia, como que a lembrar que mesmo a denúncia e a resistência podem se valer do humor como estratégia viral e disruptiva”, afirma Fernando Oliva.


 

A história de Porto Rico possui muitos pontos de contato com a do Brasil, como o passado colonial e escravagista a que foram submetidos indígenas e negros, e que deixou profundas marcas na sociedade, economia e cultura de ambos os países. “A principal pergunta que podemos nos colocar diante da proposta de Pablo Delano para o MASP é: qual ressonância o termo ‘anticolonial’ pode ter no Brasil de hoje? Essa exposição é uma oportunidade para nos confrontarmos com esse dilema”, diz o curador. “No contexto de uma situação geopolítica na qual a América Latina é sistematicamente ameaçada pela retórica belicista de um novo colonialismo estadunidense, a obra de Delano ganha ainda mais urgência.”


 

Ocupado pela Espanha em 1508 e transferido ao controle dos Estados Unidos em 1898, após a Guerra Hispano-Americana, Porto Rico é hoje definido como um “território não incorporado” que pertence aos Estados Unidos, mas não faz parte deles. Os porto-riquenhos receberam a cidadania estadunidense em 1917, no entanto, os cidadãos que vivem na ilha não votam nas eleições dos Estados Unidos, entre outras restrições. Esse tipo de ambiguidade permeia o museu de Delano, que aborda como a fotografia, a publicidade e os objetos do cotidiano são usados para construir estereótipos e promover uma visão de “paraíso tropical” que busca esconder a exploração e a violência.


 

O museu da antiga colônia dialoga diretamente com o projeto anticolonial desenvolvido pelo MASP desde sua fundação, no final dos anos 1940, a partir das ideias de Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi. “Já em suas origens, havia ali uma visão não eurocêntrica de museu, visto como uma instituição que colocaria em articulação múltiplos saberes, oriundos não apenas de artistas no sentido ocidental canônico, mas de qualquer um que pudesse oferecer uma contribuição”, explica Oliva. Em 1968, o MASP implementou os cavaletes de vidro, desenvolvidos por Lina, para apresentar o acervo, colocando no mesmo plano — material, simbólico e visual — obras do cânone europeu e de artistas brasileiros, incluindo criadores autodidatas. “Assim como Lina Bo Bardi na década de 1960, a obra de Delano também parece se perguntar, afinal, o que é hoje uma exposição de arte em um museu, um lugar criado no contexto da colonização e que por séculos funcionou para reafirmar as estruturas e representações dessa mesma colonização”, diz Fernando Oliva.


 

O museu da antiga colônia participou da Bienal de Veneza de 2024, sob curadoria de Adriano Pedrosa, e já foi exibido em instituições em Porto Rico, Estados Unidos, Argentina, Jamaica e Trindade e Tobago.


 

Pablo Delano: O museu da antiga colônia integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.


 

MASP CONVERSAS

No dia da abertura da exposição ao público, 30 de outubro, às 19h, o artista Pablo Delano e o curador Fernando Oliva conversam com o público sobre o projeto. O evento, gratuito, será realizado presencialmente, com tradução simultânea português/espanhol (retirada de fones mediante apresentação de documento com foto) e interpretação em Libras, e, posteriormente, será disponibilizado no canal do MASP no YouTube.


 

SOBRE O ARTISTA

Pablo Delano nasceu em 1954 e cresceu em Porto Rico. Mudou-se para a costa leste dos EUA no início dos anos 1970 para estudar arte, fixando-se em Nova York em 1979. Inicialmente, atuou como pintor, mas voltou-se rapidamente para a fotografia, habilidade herdada de seu pai, o fotógrafo Jack Delano. Em 1996, Delano aceitou um cargo de professor no Trinity College, em Hartford, Connecticut, quando teve a oportunidade de viajar para Trindade e Tobago, no sul do Caribe. Ele retornou inúmeras vezes nos dez anos seguintes para esse país e, por fim, em 2008, produziu um livro de fotografias em preto e branco intitulado In Trinidad, sobre o processo de construção da nação pós-colonial. No final da década de 1990, Delano começou a coletar imagens de arquivo de Porto Rico para abordar o status colonial da ilha. Essa iniciativa deu origem à sua instalação O museu da antiga colônia, que vem sendo realizada em diversos museus pelo mundo desde 2016. Em 2025, Delano realizou no Chazen Museum of Art, nos Estados Unidos, a exposição cuestiones caribeñas / caribbean matters, abordando a história do Caribe e as realidades comuns a todos os territórios caribenhos.


 

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.


 

CATÁLOGO

Em dezembro, será publicado um catálogo bilíngue sobre a exposição, em inglês e português, reunindo imagens e textos de Ángel Antonio Ruiz Laboy, Fernando Oliva, Laura Bravo López e Marta Aponte Alsina. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva.


 

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem postais e bolsas.


 

REALIZAÇÃO

Pablo Delano: O museu da antiga colônia é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e PROAC-ICMS.


 

SERVIÇO

Pablo Delano: O museu da antiga colônia

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Fernando Oliva, curador, MASP


 

30.10.26 — 31.01.27

Edifício Lina Bo Bardi, 1º andar


 

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos 

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.


 

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